Dia primeiro

 

Agora eu sei o que me faltava.

E o que eu preciso fazer para que isso que me falta não continue presente quando a folga terminar.

 

Neste dia primeiro de maio, feriado, sai para pedalar na cidade que eu escolhi.

Cidade que eu adoro. Também pelo que eu vi hoje: um povo saindo na rua em nome da saúde e da vida.

E o dia estava nublado. Eu que gosto de sol e céu azul, adorei o dia nublado. Ele me pareceu lindo.

 

O que eu precisava era de descanso. Para o corpo, a mente e a alma.

Estou tendo as minhas sonhadas férias. Descansando. Esse era o primeiro item que faltava.

Depois, comecei a fazer todas as coisas que fui adiando há tempos. Ainda resta algumas para riscar da lista.

Mas vou chegar lá.

 

Dia primeiro. Simbólico. Porque anuncia um novo tempo.

Em que eu vou ter muito mais equilíbrio. Quando vou conseguir fazer as minhas coisas e ainda manter o corpo e a mente bacanas.

Também sinto que um novo capítulo está começando. E que ele trará novas pessoas para a minha vida.

Dia primeiro. Obrigada.

Caminho pra casa

 

Uma viagem mais longa que o habitual.

Mas um destino certo: a celebração da vida do meu pai.

 

A viagem mais longa, contudo, me fez repassar a vida

Em algumas horas.

 

No princípio, gratidão.

Primeiro, com o som alto no carro, por poder escutar.

Sou uma apaixonada por música. De muitos estilos, épocas, genialidades.

E seria muito duro nunca poder ter escutado nada disso.

 

Então obrigada, em primeiro lugar, pela minha audição.

Depois, agradeci pela minha visão. Não paramos para pensar, mas ela nos leva para outra dimensão.

Amante de cinema, sem a visão, eu seria uma pessoa muito mais limitada. Obrigada por poder enxergar.

 

Depois, logo pensei nos caminhos que trilhei. Então agradeço pela minha mobilidade.

Em um milésimo de segundos, estava transportada para a porta da sala de aula do segundo grau.

Onde cumprimentava a todos com um "e aí, beleza?".

Obrigada por todas as oportunidades que eu tive na vida para me reinventar.

 

Porque estas oportunidades de fazer novamente, de outro jeito, não foram poucas.

E aos 34 anos, agora, nestes primeiros minutos do dia 22 de abril, tenho apenas mais certeza disto.

Tive muitas oportunidades nesta vida. De me fazer, de aprender, de me refazer.

Apenas eu sei, como você sabe, por tudo que passei. Cada dor, cada amor, cada alegria, cada sacrifício.

 

Tenho muito a agradecer. Não apenas por conseguir ouvir, e ver.

Mas também por ter amado. Pra valer. Ter me apaixonado, mais de uma vez. E por ter amado, pelo menos uma vez.

Se fui correspondida, pouco importada. Se fui enganada, paciência.

Aprendi com os acertos, e com os tropeços. Meus e de outros, porque consigo me colocar no lugar do outro.

E por isso, também, agradeço.

 

Pensando na vida, nesta viagem de Florianópolis até Blumenau, percebi acertos e equívocos.

Mas eles pouco importam.

O que interessa é o que eu aprendi no caminho. E o efeito que eu provoquei nas pessoas.

E por isso tudo eu agradeço. Gracias a la vida.

Saltar

 

Destas músicas que eu adoro. E que sempre faz sentido.

 

"... ?Qué ha sido de ti, de aquella canción

de las horas muertas en tu habitación?

 

?Quién dijo que no perdería el control

cuando iba a camino de la destrucción?

 

Hoy vuelve a soplar ese viento del mar

que nubla la mente y la vista

 

Prefiero saltar de una vez sin mirar y quiero que me sigas

y quiero que tú me sigas..."

Light my way

 

Eis outro mantra.

Mas este não é de pedaladas. É da vida mesmo.

 

Foi, é e continuará sendo. Em 2013, inclusive.

 

"... you bury your treasure where it can't be found

but your love is like a secret that's been passed around

there is a silence that comes to our house

when no-one can sleep

i guess it's price of love

i know it's not cheap

 

oh, come on, baby, baby, baby, light my way..."

 

A pausa do retrato

 

Pedalar é uma das coisas que eu faço que me ajuda a manter a cabeça .

E a saúde, claro.

 

Enquanto pedalo, outro "remédio" age no meu corpo e alma: a música.

Eis um dos meus mantras de pedaladas. E que tem muito a ver com o meu 2013.

Porque eu sei o que eu quero. E eu vou conseguir.

Com ou sem você.

 

"Daqui desse momento/ do meu olhar pra fora/ o mundo é só miragem

A sombra do futuro/ a sobra do passado/ assombram a paisagem

 

Quem vai virar o jogo/ e transformar a perda/ em nossa recompensa

Quando eu olhar pro lado/ eu quero estar cercado/ só de quem me interessa

 

Às vezes é um instante/ a tarde faz silêncio/ o vento sopra a meu favor

Às vezes eu pressinto/ e é como uma saudade/ de um tempo que ainda não passou

 

Me traz o seu sossego/ atrasa o meu relógio/ acalma a minha pressa

Me dá sua palavra/ sussurra em meu ouvido/ o que me interessa

 

A lógica do vento/ o caos do pensamento/ a paz na solidão

A órbita do tempo/ a pausa do retrato/ a voz da intuição

 

A curva do universo/ a fórmula do acaso/ o alcance da promessa

O salto do desejo/ o agora e o infinito/ só o que me interessa"

 

Eu vou virar o jogo.

Fim do ano, fim do mundo, fim do mês

 

Escrevo estas mal traçadas linhas dois dias depois do que alguns imbecis acreditaram ser o fim do mundo.

Me desculpe se você é um destes imbecis. Mas entendeste tudo errado.

Como ouvi de um dos gurus que ainda vivem no México, o que o calendário maia previa para o 21 de dezembro de 2012 era o fim de uma era. E o começo de uma nova.

 

Da minha parte, posso dizer que o que mais me preocupa é o fim do ano e o fim do mês.

Isso porque a minha cabeça já está em 2013. Um ano que eu espero ser menos duro do que foi 2012.

Também posso dizer que 2012 acaba comigo assumindo algumas resoluções. De fato, mudando um pouco as decisões que eu tinha assumido há um tempo.

 

Bueno, comecei a escrever este texto no dia 23 de dezembro, como os mais atentos perceberam. Mas estou terminando ele agora, no último dia de 2012.

E o mês acabou. E o ano também.

2012 foi um ano de muitos desafios e grandes provações. Mas saio dele não apenas viva, mas também mais forte.

 

Há algum tempo eu sei o que eu não quero. E vou afinando, conforme o tempo passa, cada vez mais, aquilo que eu desejo.

Neste final de ano, agradeço por ter tido mais um ano de oportunidades e de escolhas.

E só peço que 2013 siga nesta levada, com os meus pais e as demais pessoas que eu amo estando com saúde e animadas.

 

Da minha parte, decidi que em 2013 eu vou terminar coisas pendentes há muito tempo e começar outras coisas que eu estou adiando faz tempo também.

Chegou o momento. E só peço a Deus que ele me dê saúde e forças. Porque eu já sei tudo que eu preciso fazer e quero fazer.

Bueno, nos vemos logo mais, em 2013. Um ano que, acredito, será mágico.

Casamento

 

Acabo de chegar do casamento de um dos meus melhores amigos, o Alexandre.

Ele se casou com a Gabrielle. Uma união linda.

E que me fez pensar. Claro.

 

Eu tinha escrito um texto, mas este excelentíssimo blog teve a "capacidade" robótica de perdê-lo.

Pouco importa. Eu persisto.

 

Especialmente para dizer que eu desejo toda a saúde, felicidade, amor e alegria para este lindo casal de amigos.

E para dizer que não vou esperar mais.

 

Muita coisa passou na minha vida desde o post "Do bálsamo (e sobre o medo)".

E muita coisa passou na minha vida desde que deixei a Espanha.

 

Eu sinto falta de morar em Madrid? Certamente. E vou sentir sempre.

Mas estou feliz de estar em Floripa. Porque sinto que estou no lugar certo.

Amo estar aqui.

 

Mas eu era mais feliz em Madrid? Em alguns sentidos, certamente.

Hoje falei, com dois amigos, sobre a "desintoxicação" do jornalismo. Já passei por isso.

E é mágico. Único. Maravilhoso.

 

Voltei a "cair" em uma Redação sem planejar, sem querer.

Estou bem ali, mas, tenho certeza, não será por um longo tempo.

Porque sei o que vem com a "desintoxicação". E é algo muito, MUITO bom.

 

Sigo minha vida. E não quero que ela siga rápido. Porque há coisas que eu quero viver.

Estou no lugar certo. Só falta eu me dar espaço.

O mesmo espaço que tive em Madrid. E do qual sinto falta.

Mas ele virá. E serei muito mais feliz com ele.

 

No mais, não posso reclamar deste tempo que passei entre o último post e este.

Ganhei prêmios. No plural. Reconhecimento.

Fui promovida. Ganhei responsabilidade. E pessoas que não queria mais perto de mim. Paciência.

Porque DEUS, Ele sabe, mais que ninguém, o que preciso encontrar. Aprender. Me desfazer.

 

Estou aprendendo. E feliz com isso. Agora, daqui por diante, sei que a felicidade será um elemento constante.

Amém!

Do bálsamo (e sobre o medo)

 

Não importa como eu estou. Se estressada, pelo trabalho ou por pessoas desafinadas próximas, pensando que são o máximo (mas que são horríveis, cantando e fazendo tantas outras coisas ridículas).

Ou se tranquila, em paz, com o espírito e a cabeça em estado pleno.

A música sempre me acompanha.

 

E não deixa de ser curioso que as minhas férias serão pausadas pela boa música.

Tenho, antes mesmo de viajar para Madrid, alguns compromissos marcados.

A grande parte deles, envolvendo a música.

 

Alguns, agendados por amigos. Um, específico, por uma obstinação.

A música me acompanha. Me salva. É o meu bálsamo. Em tantos e indescritíveis momentos.

E ela, a música, é quem vai cadenciar boa parte da minha visita à Madrid.

 

Estou na expectativa antes mesmo de zarpar.

Só eu sei a importância de alguns reencontros. Tenhos amigos e amigas de alma, por lá. De quem tenho muita saudade.

Será lindo reencontrá-los.

Além disso, devo reencontrar muitas outras coisas. De legados até sentimentos.

 

Importante tudo isso. Mas os últimos encontros, em Floripa, tem feito com que eu pensasse menos em bálsamos, como no exemplo da música, e mais sobre medos.

Por que as pessoas tem tanto medo? E de tantas coisas?

Uma isso. De veras.

 

Hoje reencontrei uma querida amiga. Há tempos tínhamos dificuldade em nos encontrarmos... mas agora estou de férias!

E decidi ir caminhando até um local próximo para encontrá-la. Esse trajeto pareceu assustador para duas das minhas amigas.

Uma, de São Paulo, não entendia muito bem como eu poderia cogitar de vir caminhando, sozinha, pouco mais de 1 km.

A outra, há mais tempo em Floripa, também insistia na carona.

 

Difícil explicar para as pessoas porque eu fui e queria vir de volta, da noitada, caminhando, sozinha, esse trajeto.

Eu não tenho nada a perder. Bem, tenho a vida a perder, verdade.

Mas quem já esteve em experiência de quase morte, sabe o quanto isso é diferente de simplesmente viver.

Não ter muito a perder quer dizer ter tudo a perder. E se pensa na vida. Nas pessoas. No que importa, e no que não.

 

Eu sabia que o trajeto da minha volta não significava risco. Do contrário não teria vindo.

Prezo muito a minha vida, devo dizer. É o melhor bem ou presente que eu tenho ou possa ter.

Mas as pessoas se paralisam.

 

Não sabem exatamente o que podem perder, ou como.

Do contrário, não desperdiçariam tanto da vida com nada. Ou pouco.

Não ficariam presas de relações já terminadas. De pessoas incapazes de amar.

Certo, nem sempre é fácil. Mas é preciso seguir.

 

O fato é que as pessoas temem ficarem sozinhas.

Mas muitas vezes, e eu me arriscaria a dizer que na maioria das vezes, é melhor estar sozinha.

Do que estar com alguém que não sabe amar. Ou não sabe respeitar o outro como igual.

Falta coragem para as pessoas. E para outras, falta apoio.

 

Nisto tudo, só sei que a música me salva. Assim como a certeza que nunca estou sozinha.

Estou com outras pessoas. Amigos e familiares amados. De coração. E eles estão comigo. Como Deus.

Todo o tempo.

Então por que ter medo? Bobagem. A certeza e tudo o mais está aí, na nossa frente.

Para partilharmos. Então façamos.

 

E agora, vou viajar. Sei que essa viagem vai trazer muitas músicas e shows especiais.

Sem contar os encontros... a vida é bela, pois. E generosa.

Depois de ver determinadas caras, perdas, a perda de tudo, de todos, encontrar todas as possibilidades outra vez é um grande, grande presente.

Agradeça a ele, veja a lua, ajoelhe, e dê um grande sorriso no teu rosto. O que vier será lindo.

Porque a generosidade não tem fim. E que venha Madrid. E tudo o mais!

 

Das surpresas (pré-balanço)

 

Esses dias eu estava pensando e fazendo os cálculos de como este ano se aproxima, rapidamente, para o seu fim.

E como é tradicional em qualquer fim de ciclo, comecei a refletir sobre o que aconteceu comigo e ao meu redor neste ano.

 

Duas das experiências mais legais que eu vivi em 2011 aconteceram sem que eu planejasse. Foram surpreendentes.

Primeiro, o convite para uma viagem para o México. Não estava nos meus planos, nem para um futuro a médio prazo, ir para lá. Mas foi algo incrível (falei um pouco sobre isso no texto anterior).

Depois (cronologicamente antes da viagem, para ser exata), quando eu achei que ia começar a relaxar - após terminar de escrever a minha tese, um longo e complicado processo - veio a oportunidade de começar a dar aula para alunos do jornalismo.

 

Nenhuma das duas experiências foi fácil. Ambas exigiram, de formas diferentes, algum sacrifício. Dar aulas ainda me exige sacrifício - porque o semestre ainda não terminou.

Mas estou muito feliz com tudo que estas duas vivências me trouxeram e estão me trazendo.

 

um ano e meio eu não sei muito bem o que é relaxar. Fazer isso o que tantas pessoas fazem por vários dias e finais de semana, que é dar duro no trabalho que gostam, mas equilibrar essa dedicação com passeios sem pressa, curtição do tempo e do sol, da brisa, do mar, dos papos sem fim e sem data para terminar.

Eu adoro tudo isso, mas neste um ano e meio não consegui quase tempo algum para fazer estas coisas.

 

Acumulei sempre "dois trabalhos". Primeiro, como jornalista, em uma agência de comunicação, depois uma assessoria de imprensa e, finalmente, no jornal, onde estou, e com o trabalho (parte dupla) de avançar com a minha tese e, consequentemente, o doutorado.

Não aproveitei o último verão, nem alguns convites para sair... não assisti aos filmes que eu gostaria, não voltei a cantar ou a fazer alguma outra coisa que eu ainda não fiz.

Depois, quando tinha finalizado a minha tese e estava começando a pensar na minha vida apenas como jornalista que trabalha em um jornal diário, mas com tempo livre para o resto da vida, surge a oportunidade de começar a dar aula.

 

Não reclamo por estas coisas. Pelo contrário. Agradeço.

É uma satisfação e um grande aprendizado, para mim, ter cursado o meu doutorado. E ter conseguido fazer, à duras penas e de forma bastante solitária, a minha tese.

Também é uma honra e uma satisfação ter começado a dar aula. E quero continuar. Percebi que gosto disto também - e muito.

 

Mas por este último um ano e meio super pesado - após outros anos também nada fáceis - é que me sinto esgotada.

E com as férias dobrando a esquina, surge um novo vento forte de ânimo e esperança.

 

As coisas tem se desenvolvido muito bem, inclusive com estas surpresas que dão novo ânimo para a mente e a alma.

No geral, esse 2011 foi um ano bastante generoso. De muito trabalho (muito mesmo!), mas com bons frutos colhidos.

 

Claro que há partes da minha vida que ainda não estão como eu gostaria - especialmente no campo pessoal.

Se ganhei por um lado, estando muito mais próxima dos meus amados e essenciais pais, por outro não consegui ainda formar, por aqui, a "minha gente", minha tribo, aquelas pessoas que fazem toda a diferença na minha felicidade - e as quais eu tinha (tenho) em Madrid, e até em Blumenau, em épocas passadas.

Em Floripa ainda não tenho esse grupo, essa tribo, essa gente... mas acho que um dia isso vai surgir.

Também me falta o amor, aquele especial, com o qual eu queira dividir a vida e todas as suas coisas (boas e ruins). Mas esse também haverá de aparecer.

 

Tenho . E tenho certeza que tudo vem ao seu tempo. E inclusive muito mais do que eu mereço.

Então obrigada, 2011. E o final do ano promete, por uma viagem especial (Madrid, aí vou eu!!) e mais alguma surpresa que sempre acontece.

Espero que 2012 siga a mesma linha. E desejo que você, que me lê, tenha isso e muito mais. Em dobro. :)

Sobre batismo e encontros

 

Fui para um país e encontrei duas culturas maravilhosas e suas influências, sem planejar.

Chegando cedo até um local mágico, encontrei um descencente dos antigos sacerdotes astecas. 

Depois de uma rápida troca de palavras e sorrisos, ele resolveu me dar dicas. E sem planejar, foi me acompanhando pelos templos e ruínas.

 

Em certo momento, aquele homem acostumado a estar ligado em tudo, no passado, no presente e no futuro, me disse que os meus olhos diziam muitas coisas.

Essa não foi a primeira vez que me disseram isso.

Comentou também que ele percebia que a vida já tinha me dado vários golpes. No que eu respondi que sim, mas que sempre recomecei depois, e feliz, e mais forte.

E ele confirmou. Disse que isso transparecia. Que eu gostava destes recomeços.

 

Ele, Roberto, me deu vários presentes. Simples, simbólicos, que significaram muito naquele momento e local. 

E quando chegamos a uma ruína específica, na qual ele tinha planejado uma purificação do "peso" que ele insistia em dizer que eu carregava - de muito, muito tempo atrás, o que eu não percebia - eu senti que ali era mais que um local de purificação. Mas era, em outra época e para outra civilização, um local de batismo.

Quando perguntei sobre isso, se de certo ponto jorrava água (com a qual eu tenho uma relação especial) e se ali era um local utilizado para batismos, o Roberto se surpreendeu. Ninguém, nunca, tinha feito aquela pergunta para ele.

 

Metade do caminho fiz com ele. A outra metade, sozinha. E adorei as duas experiências.

Aprendi muito com ele. Com suas histórias e descendência.

Mas aprendi - e sempre aprendo - caminhando sozinha, tendo o silêncio e a calma para me sentir conectada

E foi lá, nos templos de Teotihuacán, onde me senti conectada com um passado muito remoto, com o momento atual e com o que virá em um futuro longínquo.

 

Momentos especiais e não programados. O que só comprova que a vida está sempre nos dando muitos presentes.

A viagem para o México foi especial. Rápida. Queria ter ficado mais. 

Ganhei um amigo, e revi uma conexão potente. Presentes que recebi por pura generosidade do meu chefe, o Eduardo.

 

Algumas vezes, como agora, quando me sinto cansada, tudo o que eu quero são férias.

Mas se olho para trás, sem dúvida, essa nova fase, trabalhando outra vez em um jornal diário, tem sido desafiadora e muito importante.

Não sei o que virá pela frente. Aliás, isso é algo que aprendi com o tempo: saber que as coisas não são permanentes.

 

Pelo menos não as coisas efêmeras, materiais, como recursos, trabalho e o que surge a partir deles. 

A permanência está em outros elementos. Nos sentimentos, no amor, e nos fios suaves que nos ligam a tempos muito antigos, e ao futuro distante.

Foi bom ter me encontrado novamente com tudo isso. 

 

E logo mais, novamente na Espanha, terei tempo para curtir aquela outra ligação, com outros antepassados, com mais calma.

E resgatar o amor que me liga a tanta gente que eu gosto e que está na Espanha. 

Só tenho a agradecer, pois, a todos esses batismos e recomeços que a vida me propicia. Essa é a graça de toda essa história. Obrigada.

E sim, eis que surgiu a Primavera. Ia citar aquela música da Legião, mas como vi que fiz isso no post passado, deixa pra lá.

O importante é que a mensagem está ali. Pois viva!

Vida nova

 

Uma nova vida se avizinha.

Vejo ela chegar, de mansinho, enquanto me recupero do último alerta.

Sim, porque a vida é breve, é frágil, e você nunca sabe até quando vai continuar nesta aventura.

 

Muitos podem dizer que talvez seja cedo para uma pessoa como eu, com a idade que eu tenho, escrever estas coisas.

Mas quem já viu o que eu já vi, quem já conheceu tantas pessoas fantásticas e viu tanta gente boa partir, além de ter passado, com a própria pele, por algumas situações perigosas, sabe que a idade tem pouco a ver com isso de ter a garantia de muito tempo.

Desta vez, contudo, não escrevo para falar de fragilidades. Mas de fortalezas.

 

Como eu dizia, vejo uma nova vida se aprochegando. Vindo de mansinho.

Meu próximo Verão em Floripa terá um ritmo bem diferente deste último. Porque o certo de quem mora na Ilha é aproveitar cada dia de sol e de folga da maneira mais extraordinária possível.

Algo que não fiz no último Verão e nem na última Primavera.

 

Na verdade, desde que me mudei para Florianópolis, não consegui viver a cidade plenamente, como é de meu feitio. Sempre havia o peso da minha tese para perturbar os meus dias livres. Certo, não vou mentir que nunca consegui me livrar deste peso, mas foi em raras e prazerosas ocasiões, apenas.

Também tive outras perturbações no caminho. Mas elas não passavam por compromisso, como a minha tese. Eram mais uma questão de inocência... sabe quando criança cai em histórias que qualquer adulto saberia que não são reais? Pois é.

Algumas vezes ainda caio nessas... Mas não me arrependo, porque nunca quero perder a capacidade de acreditar. O dia que eu deixar de acreditar, por favor, me enterrem.

 

A diferença é que agora eu não tenho mais o peso.

Nesta quinta-feira, em um dia de licença médica, consegui costurar a conclusão da minha tese, que estava já meio escrita, e coloquei um ponto final nesta novela que vinha consumindo grande parte do meu tempo livre, do meu ânimo, do meu desânimo, das minhas energias e pensamentos desde que voltei para o Brasil.

Bem, muitas outras coisas também me consumiram no caminho. Inclusive coisas muito mais importantes que a minha tese, devo dizer.

Mas essas já são outras histórias - algumas já contadas por aqui, outras que talvez eu nunca conte.

 

Minha nova vida começa agora, definitivamente.

Claro que terei que fazer 1 milhão de mudanças na minha tese. Mas agora passei o bastão para o meu professor. Antes dele devolver ela para mim e seguirmos nessa troca até afinar o material para que ele possa ser apresentado.

E aí sim, vida nova ao quadrado.

 

Mas até lá, me contento com a perspectiva desta vida nova imediata.

Agora sim, terei tempo para ler o que eu quiser, nas horas livres... em casa, com o sol entrando pela janela da sala. Sem estresse, ou preocupações. Ou na rua, em um banco qualquer de uma praça, em um parque ou com os pés enfiados na areia de uma de tantas praias de Floripa.

Vou poder voltar a frequentar festas, bagunças, sem desculpas para negar os convites. Terei tempo de rever grandes amigos e amigas, e conhecer tanta gente boa espalhada por Floripa e que eu ainda não conheço.

Terei tempo de ver os meus filmes, tão atrasados, e retomar o meu blog com críticas e comentários. Que por muito tempo, foi o meu canal de escape para manter a minha alma de jornalista.

Vou resgatar o hábito de andar de bike, de andar à pé, sem pressa, sem direção, apenas curtindo uma música ou os sons da rua. Quem sabe, quando fique mais quente, não resgate, depois de mais de uma década, a minha velha prancha?

Também quero ir a shows bacanas que vão rolar em Floripa e, quem sabe, até em outras partes. Escutar boa música e ver ela fluir sempre foi um dos meus prazeres.

Ah, tudo que eu vou poder fazer... talvez eu volte a cantar ou, mais pra frente, a estudar. Talvez um idioma, ou uma outra filosofia qualquer - barata ou cara.

Também vou voltar à Madrid, minha segunda - ou terceira? - cidade do coração. Tenho saudades infinitas das pessoas que deixei lá, da aura da cidade, de suas ruas, de suas cores, de seu jeito diferente de pulsar.

Voltarei para Madrid, logo mais. E se for a outros lugares, será apenas um "plus" de viagem. Porque meu coração pulsa em Madrid.

E vou ter tempo de namorar. Quem sabe, até, de viver aquele grande amor. Aquele, que está pronto para cair no meu colo, sem avisar, rompendo as minhas certezas, agitando minhas noites sem dormir e meus dias de cansaço feliz.

 

Agora sim, eu acho que vai.

Deixo um monte de coisas que estavam demorando para passar se esvair, transcender as pontas dos meus dedos, evaporar da minha mente, seguir o seu curso.

Quero a falta de compromisso com uma grande causa por um tempo. Quero não ter um grande propósito, além daquele que eu mais prezo, que é de cuidar e apreciar as pessoas que eu amo, por um bom tempo.

Acho que, no fim das contas, e depois de passar por tantas coisas, eu mereço.

 

Pois que venha essa tal vida nova!

 

E só para deixar esse texto ainda mais longo, vou citar uma certa letra de música. Ok que vai demorar para a Primavera, a estação chegar. Mas e quem disse que precisamos seguir o calendário? :)

 

"... Venha

Meu coração está com pressa

Quando a esperança está dispersa

Só a verdade me liberta

Chega de maldade e ilusão

 

Venha

O amor tem sempre a porta aberta

E vem chegando a primavera

Nosso futuro recomeça

Venha

Que o que vem é perfeição!"

Depois do luto

 

Quanto tempo demora para terminar um luto?

Tudo depende de que luto estamos falando.

Quanto tempo demora para terminar o luto pela perda de uma pessoa querida? Ou pela morte de um amor? Ou ainda pela constatação de que parte da pessoa que você era não existe mais?

 

algumas semanas, a conversa com uma pessoa querida para quem eu dei uma carona, em Florianópolis, me fez perceber que já era hora de por fim à um luto que estava durando tempo demais. 

Luto esse que era uma junção de várias dores. E que vinha cobrando um preço que eu mesma não tinha me dado conta, até então.

O mais curioso é que o último luto, justamente o mais difícil, porque imprime uma ausência incontornável, foi justamente o que me ajudou a despertar.

 

Ninguém escolhe por quanto tempo dura um lamento. Mas é fato que chega o momento, mais cedo ou mais tarde, dele terminar. E de seguirmos em frente.

Fiquei feliz do meu luto terminar. Especialmente porque, com o fim dele, consegui o ânimo para avançar de forma decisiva no maior desafio da minha vida até agora: o meu doutorado.

Estou há poucos passos de terminar a primeira versão da minha tese. E daí, meus bons leitores, é esperar pelos ajustes necessários, fazê-los e esperar a hora de apresentar o resultado final de tanto trabalho. Não me importa se isso vai acontecer este ano, ou apenas no próximo. O importante é terminar esta fase.

E o que virá depois? Não tenho a mínima ideia. Bem, algumas ideias eu até tenho...

Tenho muitas vontades, várias possibilidades. O tempo dirá para onde eu vou. Para mim, mais que ter certeza, o importante sempre foi ter possibilidades. E, após esta fase, com certeza eu terei mais possibilidades que antes, quando não havia começado este longo desafio.

 

A vida dá voltas, e a gente sofre em algumas destas voltas que a vida dá. Mas nada melhor do que terminar um ciclo, ainda que ele demore mais, algumas vezes, do que a gente gostaria para terminar.

Mas tudo termina. O que é bom, e o que é ruim.

Este ano quero revisitar alguns lugares que amo e, principalmente, reencontrar pessoas que me fazem muita falta. Será um presente, para mim, depois de tanto tempo de sacrifícios. E de presentes também.

 

Chega de sofrer, isso decidi há vários meses. E chega de luto, decidi há algumas semanas. 

O que virá, daqui por diante, será melhor. Tenho certeza. E como sempre, agradeço pelas lições aprendidas. E pelas oportunidades que eu tive e tenho.

Certamente, nas próximas vezes, estarei mais atenta e preparada. Ainda que, para algumas perdas, nunca estejamos, realmente, preparados

E vamos nessa, porque há muita coisa por fazer ainda. Bóra.

Quase um ano

 

Perceber todas as cores, as nuances, a importância de estar mais próxima.

Antes, viver a angústia de uma resposta. E ter a melhor alternativa de cidade que se poderia imaginar/planejar.

Na correria do cotidiano, nem sempre perceber todas as belezas e encantos tão procurados nesta tal Ilha.

Algumas vezes, ser abatida pelo cansaço (físico, mental, da alma), pelas horas de sono que se alongam muito mais do que a razão deixaria.

 

Depois da resposta positiva, novos desafios. Aprendizado. E a trilha de um caminho sem volta. E para o bem.

Conflitos, alguns não bem resolvidos. Cansaço. Decisão radical.

Pela segunda vez na vida, uma resposta positiva após o salto no abismo. Alívio.

Mais desafios e aprendizado. Alguns outros conflitos e o exercício da paciência.

 

Novo convite. E a dura negativa. A vocação chamava, mas as responsabilidades e as contas a pagar falaram mais alto.

Mas quando alguém tem algo a fazer, não demora muito para outra oportunidade surgir. Expectativa, torcida e, finalmente, o novo convite.

A volta ao conhecido que não é mais previsível. Novos desafios e aprendizado. Recomeço.

E a feliz convivência com pessoas e um modo de trabalhar que continua fascinando.

 

O velho e o novo. Em permanente diálogo. No trabalho, na vida, no amor, nas vitórias e nas perdas.

A vida nunca se repete, mas algumas vezes relembra fotografias e sequências antigas.

Estar longe de tantas pessoas que se gosta (e muito), mas sentí-las acompanhando os teus passos "a la vez".

Estar mais perto das pessoas que são, sem sombra de dúvidas, as mais importantes de uma vida. Gratidão, amor, sentimentos que palavras não podem resumir.

 

Avancei. Sem dúvida estou mais perto daquilo que eu quero ser.

Retrocedi. Neste quase um ano de Florianópolis, ainda não pisei em alguns terrenos que eu sei que eu preciso trilhar.

Mas estou mais perto de tudo em que eu acredito

Neste tempo, fui mais sincera do que nunca. Me expus, me arrisquei, amei, sofri, curti poucas companhias boas e também um bocado de solidão. E não é a primeira vez.

 

Sem dúvida, foi um período intenso. De gangorra. Mas bem aproveitado.

Hoje vejo que estou, mais do que nunca, no caminho do bem.

"Tenho coragem e sei quem eu sou", como cantava o meu querido Renato Russo. 

Hoje, mais que antes, tenho coragem e sei quem eu sou.

 

Tenho os meus valores, muito bem solidificados. Vivo intensamente o amor pela vida e pelas pessoas que me são queridas.

Tento compreender e aceitar as demais. Me esforço para isso. Hoje, mais que antes.

Entre os valores, prezo pela coerência. Neste último ano, fui mais coerente em tudo. E isso me faz bem.

Para resumir, estou muito feliz nestes dias que antecedem o meu aniversário de um ano na Ilha. E por isso, vou comemorar a data. Certamente, com um mergulho no mar.

 

E que muitos anos bacanas venham por aí. Os próximos, provavelmente, nesta maravilhosa cidade de Florianópolis.

E os demais, seja onde for, desde que seja para o bem. Saúde!

 

P.S.: Entre as várias coisas engraçadas que aconteceram nestes últimos tempos, voltei a ouvir 4 das minhas velhas, antigas fitas-cassete. Sim, antigamente eu tinha um toca-fitas no velho Fiesta.

Agora, com o carro do meu pai andando para cá e para lá em Floripa, estou ouvindo 4 das velhas fitas "resgatadas" do antigo armário do meu quarto em Blumenau. Uma verdadeira viagem no tempo. Bacana.

Março? Como assim?

 

Nossa, fazia tempo que eu não escrevia por aqui.

A razão disso tem muito a ver com o título deste post... não dá para acreditar que já estamos em março. E detalhe: que passamos da metade do mês.

 

Honestamente, parece que foi ontem o dia 1 de janeiro, quando tomei o meu primeiro banho de mar deste ano.

Hoje, dia 20 de março, tomei o meu segundo banho de mar no ano. Pois sim...

 

Muitas coisas aconteceram entre um banho de mar e outro. 

Precisei de bastante tempo para descansar e repor as energias. Me recuperar.

2010 foi um ano intenso. Cheio de altos e baixos, de ganhos e perdas. E, sem dúvida, comecei este ano me recuperando um pouco de tudo.

 

Mas agora sim, me sinto bem. Relaxada. Foi o tempo da recuperação, de dormir mais do que deveria, de trabalhar um bocado (bem, na verdade, isso vai continuar) e de deixar coisas importantes para depois.

Hoje comecei o ano para valer. E este ano será grande.

Um ano para terminar um ciclo e começar um outro, há tempos esperado. 

Está sendo e ainda será um ano muito bom. A partir de hoje, recomeço muitas coisas. E começo outras.

 

Março já está por aqui. E dentro de duas semanas, completo um ano nesta Ilha. Uma bela e interessante mudança na minha vida.

Estou feliz aqui. Ainda que, neste 1 ano, eu tenha vivido tantas coisas boas, e outras ruins. Mas estás últimas, já devidamente ultrapassadas, enterradas e afastadas de mim.

O meu novo ano em Floripa, que começa logo mais, em abril (no meu sentimento, ele já começou hoje), será ainda melhor que o primeiro. Sinto e pressinto isso.

 

Mas outra hora escrevo sobre isso. Por hora, só queria dizer que estou bem. Com as energias renovadas

Preparada para este grande ano de 2011. E vamos que vamos, porque outros três meses não vão passar assim "nas nuvens" como estes três primeiros.

Vamos acelerar!

E até logo mais.

Luzes em Blumenau e uma prancha 

 

Há algumas semanas me emocionei chegando em Blumenau.

Não apenas com as luzes esparsas na entrada da cidade, mas principalmente no cenário que eu encontrei após a curva do rio.

Chorei.

 

A razão é simples e complexa ao mesmo tempo.

Pela primeira vez, desde o final de 2008, vejo um iluminação de Natal e aquele espírito de festividades de final de ano realmente presente na cidade após 2008.

Morros caíram. Ruas ficaram submersas. Pessoas perderam casas, investimentos de uma vida inteira e, pior, perderam vidas importantes - de pais, mães, filhos, tios, e um longo etcétera.

 

Chegar na minha cidade e ver a "esperança no ar" novamente foi marcante. Mais. Emocionante.

Voltei para Floripa e a minha missão número 1 - planejada antes deste "choque" de emoção em Blumenau - era a de adotar uma carta do "Papai Noel".

 

Certa vez, contribui com uma bicicleta. Tempos de mais fartura. De menos aprendizado e de mais dinheiro na conta. Pouco importa.

Desta vez, contribui com uma prancha de surfe. E alguém quer algo melhor em Florianópolis?

Com todo o coração espero que a Sara, que não conheço, faça um lindo proveito da prancha neste Verão.

Que as ondas venham grandes, lindas, e que ela aprenda a surfar com segurança.

 

O Natal é tempo de muitas coisas. Para mim, essencialmente, de estar muito próxima das pessoas que eu amo

E de agradecer.  E de pedir pelas pessoas essas, que eu amo tanto. E de pedir por todas as pessoas.

Porque o Natal só tem sentido pela grande lição amorosa que aquele menino na manjedoura nos deu. Apenas isso. O restante, são acréscimos.

 

Mas vale comentar que estes acréscimos também são importantes.

Ok, o perdão é importante. O amor, o gesto verdadeiro de carinho. Mas realizar sonhos é algo mágico.

Aprendi, passando por dificuldades e aprendendo com elas, que poucas coisas são mais importantes que realizar os sonhos de outras pessoas.

Pois tente, meu bom e boa leitor/a, realizar alguns sonhos neste Natal. E perdoar. E amar. Isso faz toda a diferença.

Um lindo, iluminado e amoroso Natal para todos e cada um@ de vocês!!

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