Do bálsamo (e sobre o medo)
Não importa como eu estou. Se estressada, pelo trabalho ou por pessoas desafinadas próximas, pensando que são o máximo (mas que são horríveis, cantando e fazendo tantas outras coisas ridículas).
Ou se tranquila, em paz, com o espírito e a cabeça em estado pleno.
A música sempre me acompanha.
E não deixa de ser curioso que as minhas férias serão pausadas pela boa música.
Tenho, antes mesmo de viajar para Madrid, alguns compromissos marcados.
A grande parte deles, envolvendo a música.
Alguns, agendados por amigos. Um, específico, por uma obstinação.
A música me acompanha. Me salva. É o meu bálsamo. Em tantos e indescritíveis momentos.
E ela, a música, é quem vai cadenciar boa parte da minha visita à Madrid.
Estou na expectativa antes mesmo de zarpar.
Só eu sei a importância de alguns reencontros. Tenhos amigos e amigas de alma, por lá. De quem tenho muita saudade.
Será lindo reencontrá-los.
Além disso, devo reencontrar muitas outras coisas. De legados até sentimentos.
Importante tudo isso. Mas os últimos encontros, em Floripa, tem feito com que eu pensasse menos em bálsamos, como no exemplo da música, e mais sobre medos.
Por que as pessoas tem tanto medo? E de tantas coisas?
Uma dó isso. De veras.
Hoje reencontrei uma querida amiga. Há tempos tínhamos dificuldade em nos encontrarmos... mas agora estou de férias!
E decidi ir caminhando até um local próximo para encontrá-la. Esse trajeto pareceu assustador para duas das minhas amigas.
Uma, de São Paulo, não entendia muito bem como eu poderia cogitar de vir caminhando, sozinha, pouco mais de 1 km.
A outra, há mais tempo em Floripa, também insistia na carona.
Difícil explicar para as pessoas porque eu fui e queria vir de volta, da noitada, caminhando, sozinha, esse trajeto.
Eu não tenho nada a perder. Bem, tenho a vida a perder, verdade.
Mas quem já esteve em experiência de quase morte, sabe o quanto isso é diferente de simplesmente viver.
Não ter muito a perder quer dizer ter tudo a perder. E se pensa na vida. Nas pessoas. No que importa, e no que não.
Eu sabia que o trajeto da minha volta não significava risco. Do contrário não teria vindo.
Prezo muito a minha vida, devo dizer. É o melhor bem ou presente que eu tenho ou possa ter.
Mas as pessoas se paralisam.
Não sabem exatamente o que podem perder, ou como.
Do contrário, não desperdiçariam tanto da vida com nada. Ou pouco.
Não ficariam presas de relações já terminadas. De pessoas incapazes de amar.
Certo, nem sempre é fácil. Mas é preciso seguir.
O fato é que as pessoas temem ficarem sozinhas.
Mas muitas vezes, e eu me arriscaria a dizer que na maioria das vezes, é melhor estar sozinha.
Do que estar com alguém que não sabe amar. Ou não sabe respeitar o outro como igual.
Falta coragem para as pessoas. E para outras, falta apoio.
Nisto tudo, só sei que a música me salva. Assim como a certeza que nunca estou sozinha.
Estou com outras pessoas. Amigos e familiares amados. De coração. E eles estão comigo. Como Deus.
Todo o tempo.
Então por que ter medo? Bobagem. A certeza e tudo o mais está aí, na nossa frente.
Para partilharmos. Então façamos.
E agora, vou viajar. Sei que essa viagem vai trazer muitas músicas e shows especiais.
Sem contar os encontros... a vida é bela, pois. E generosa.
Depois de ver determinadas caras, perdas, a perda de tudo, de todos, encontrar todas as possibilidades outra vez é um grande, grande presente.
Agradeça a ele, veja a lua, ajoelhe, e dê um grande sorriso no teu rosto. O que vier será lindo.
Porque a generosidade não tem fim. E que venha Madrid. E tudo o mais!
Das surpresas (pré-balanço)
Esses dias eu estava pensando e fazendo os cálculos de como este ano se aproxima, rapidamente, para o seu fim.
E como é tradicional em qualquer fim de ciclo, comecei a refletir sobre o que aconteceu comigo e ao meu redor neste ano.
Duas das experiências mais legais que eu vivi em 2011 aconteceram sem que eu planejasse. Foram surpreendentes.
Primeiro, o convite para uma viagem para o México. Não estava nos meus planos, nem para um futuro a médio prazo, ir para lá. Mas foi algo incrível (falei um pouco sobre isso no texto anterior).
Depois (cronologicamente antes da viagem, para ser exata), quando eu achei que ia começar a relaxar - após terminar de escrever a minha tese, um longo e complicado processo - veio a oportunidade de começar a dar aula para alunos do jornalismo.
Nenhuma das duas experiências foi fácil. Ambas exigiram, de formas diferentes, algum sacrifício. Dar aulas ainda me exige sacrifício - porque o semestre ainda não terminou.
Mas estou muito feliz com tudo que estas duas vivências me trouxeram e estão me trazendo.
Há um ano e meio eu não sei muito bem o que é relaxar. Fazer isso o que tantas pessoas fazem por vários dias e finais de semana, que é dar duro no trabalho que gostam, mas equilibrar essa dedicação com passeios sem pressa, curtição do tempo e do sol, da brisa, do mar, dos papos sem fim e sem data para terminar.
Eu adoro tudo isso, mas neste um ano e meio não consegui quase tempo algum para fazer estas coisas.
Acumulei sempre "dois trabalhos". Primeiro, como jornalista, em uma agência de comunicação, depois uma assessoria de imprensa e, finalmente, no jornal, onde estou, e com o trabalho (parte dupla) de avançar com a minha tese e, consequentemente, o doutorado.
Não aproveitei o último verão, nem alguns convites para sair... não assisti aos filmes que eu gostaria, não voltei a cantar ou a fazer alguma outra coisa que eu ainda não fiz.
Depois, quando tinha finalizado a minha tese e estava começando a pensar na minha vida apenas como jornalista que trabalha em um jornal diário, mas com tempo livre para o resto da vida, surge a oportunidade de começar a dar aula.
Não reclamo por estas coisas. Pelo contrário. Agradeço.
É uma satisfação e um grande aprendizado, para mim, ter cursado o meu doutorado. E ter conseguido fazer, à duras penas e de forma bastante solitária, a minha tese.
Também é uma honra e uma satisfação ter começado a dar aula. E quero continuar. Percebi que gosto disto também - e muito.
Mas por este último um ano e meio super pesado - após outros anos também nada fáceis - é que me sinto esgotada.
E com as férias dobrando a esquina, surge um novo vento forte de ânimo e esperança.
As coisas tem se desenvolvido muito bem, inclusive com estas surpresas que dão novo ânimo para a mente e a alma.
No geral, esse 2011 foi um ano bastante generoso. De muito trabalho (muito mesmo!), mas com bons frutos colhidos.
Claro que há partes da minha vida que ainda não estão como eu gostaria - especialmente no campo pessoal.
Se ganhei por um lado, estando muito mais próxima dos meus amados e essenciais pais, por outro não consegui ainda formar, por aqui, a "minha gente", minha tribo, aquelas pessoas que fazem toda a diferença na minha felicidade - e as quais eu tinha (tenho) em Madrid, e até em Blumenau, em épocas passadas.
Em Floripa ainda não tenho esse grupo, essa tribo, essa gente... mas acho que um dia isso vai surgir.
Também me falta o amor, aquele especial, com o qual eu queira dividir a vida e todas as suas coisas (boas e ruins). Mas esse também haverá de aparecer.
Tenho fé. E tenho certeza que tudo vem ao seu tempo. E inclusive muito mais do que eu mereço.
Então obrigada, 2011. E o final do ano promete, por uma viagem especial (Madrid, aí vou eu!!) e mais alguma surpresa que sempre acontece.
Espero que 2012 siga a mesma linha. E desejo que você, que me lê, tenha isso e muito mais. Em dobro. :)
Sobre batismo e encontros
Fui para um país e encontrei duas culturas maravilhosas e suas influências, sem planejar.
Chegando cedo até um local mágico, encontrei um descencente dos antigos sacerdotes astecas.
Depois de uma rápida troca de palavras e sorrisos, ele resolveu me dar dicas. E sem planejar, foi me acompanhando pelos templos e ruínas.
Em certo momento, aquele homem acostumado a estar ligado em tudo, no passado, no presente e no futuro, me disse que os meus olhos diziam muitas coisas.
Essa não foi a primeira vez que me disseram isso.
Comentou também que ele percebia que a vida já tinha me dado vários golpes. No que eu respondi que sim, mas que sempre recomecei depois, e feliz, e mais forte.
E ele confirmou. Disse que isso transparecia. Que eu gostava destes recomeços.
Ele, Roberto, me deu vários presentes. Simples, simbólicos, que significaram muito naquele momento e local.
E quando chegamos a uma ruína específica, na qual ele tinha planejado uma purificação do "peso" que ele insistia em dizer que eu carregava - de muito, muito tempo atrás, o que eu não percebia - eu senti que ali era mais que um local de purificação. Mas era, em outra época e para outra civilização, um local de batismo.
Quando perguntei sobre isso, se de certo ponto jorrava água (com a qual eu tenho uma relação especial) e se ali era um local utilizado para batismos, o Roberto se surpreendeu. Ninguém, nunca, tinha feito aquela pergunta para ele.
Metade do caminho fiz com ele. A outra metade, sozinha. E adorei as duas experiências.
Aprendi muito com ele. Com suas histórias e descendência.
Mas aprendi - e sempre aprendo - caminhando sozinha, tendo o silêncio e a calma para me sentir conectada.
E foi lá, nos templos de Teotihuacán, onde me senti conectada com um passado muito remoto, com o momento atual e com o que virá em um futuro longínquo.
Momentos especiais e não programados. O que só comprova que a vida está sempre nos dando muitos presentes.
A viagem para o México foi especial. Rápida. Queria ter ficado mais.
Ganhei um amigo, e revi uma conexão potente. Presentes que recebi por pura generosidade do meu chefe, o Eduardo.
Algumas vezes, como agora, quando me sinto cansada, tudo o que eu quero são férias.
Mas se olho para trás, sem dúvida, essa nova fase, trabalhando outra vez em um jornal diário, tem sido desafiadora e muito importante.
Não sei o que virá pela frente. Aliás, isso é algo que aprendi com o tempo: saber que as coisas não são permanentes.
Pelo menos não as coisas efêmeras, materiais, como recursos, trabalho e o que surge a partir deles.
A permanência está em outros elementos. Nos sentimentos, no amor, e nos fios suaves que nos ligam a tempos muito antigos, e ao futuro distante.
Foi bom ter me encontrado novamente com tudo isso.
E logo mais, novamente na Espanha, terei tempo para curtir aquela outra ligação, com outros antepassados, com mais calma.
E resgatar o amor que me liga a tanta gente que eu gosto e que está na Espanha.
Só tenho a agradecer, pois, a todos esses batismos e recomeços que a vida me propicia. Essa é a graça de toda essa história. Obrigada.
E sim, eis que surgiu a Primavera. Ia citar aquela música da Legião, mas como vi que fiz isso no post passado, deixa pra lá.
O importante é que a mensagem está ali. Pois viva!
Vida nova
Uma nova vida se avizinha.
Vejo ela chegar, de mansinho, enquanto me recupero do último alerta.
Sim, porque a vida é breve, é frágil, e você nunca sabe até quando vai continuar nesta aventura.
Muitos podem dizer que talvez seja cedo para uma pessoa como eu, com a idade que eu tenho, escrever estas coisas.
Mas quem já viu o que eu já vi, quem já conheceu tantas pessoas fantásticas e viu tanta gente boa partir, além de ter passado, com a própria pele, por algumas situações perigosas, sabe que a idade tem pouco a ver com isso de ter a garantia de muito tempo.
Desta vez, contudo, não escrevo para falar de fragilidades. Mas de fortalezas.
Como eu dizia, vejo uma nova vida se aprochegando. Vindo de mansinho.
Meu próximo Verão em Floripa terá um ritmo bem diferente deste último. Porque o certo de quem mora na Ilha é aproveitar cada dia de sol e de folga da maneira mais extraordinária possível.
Algo que não fiz no último Verão e nem na última Primavera.
Na verdade, desde que me mudei para Florianópolis, não consegui viver a cidade plenamente, como é de meu feitio. Sempre havia o peso da minha tese para perturbar os meus dias livres. Certo, não vou mentir que nunca consegui me livrar deste peso, mas foi em raras e prazerosas ocasiões, apenas.
Também tive outras perturbações no caminho. Mas elas não passavam por compromisso, como a minha tese. Eram mais uma questão de inocência... sabe quando criança cai em histórias que qualquer adulto saberia que não são reais? Pois é.
Algumas vezes ainda caio nessas... Mas não me arrependo, porque nunca quero perder a capacidade de acreditar. O dia que eu deixar de acreditar, por favor, me enterrem.
A diferença é que agora eu não tenho mais o peso.
Nesta quinta-feira, em um dia de licença médica, consegui costurar a conclusão da minha tese, que estava já meio escrita, e coloquei um ponto final nesta novela que vinha consumindo grande parte do meu tempo livre, do meu ânimo, do meu desânimo, das minhas energias e pensamentos desde que voltei para o Brasil.
Bem, muitas outras coisas também me consumiram no caminho. Inclusive coisas muito mais importantes que a minha tese, devo dizer.
Mas essas já são outras histórias - algumas já contadas por aqui, outras que talvez eu nunca conte.
Minha nova vida começa agora, definitivamente.
Claro que terei que fazer 1 milhão de mudanças na minha tese. Mas agora passei o bastão para o meu professor. Antes dele devolver ela para mim e seguirmos nessa troca até afinar o material para que ele possa ser apresentado.
E aí sim, vida nova ao quadrado.
Mas até lá, me contento com a perspectiva desta vida nova imediata.
Agora sim, terei tempo para ler o que eu quiser, nas horas livres... em casa, com o sol entrando pela janela da sala. Sem estresse, ou preocupações. Ou na rua, em um banco qualquer de uma praça, em um parque ou com os pés enfiados na areia de uma de tantas praias de Floripa.
Vou poder voltar a frequentar festas, bagunças, sem desculpas para negar os convites. Terei tempo de rever grandes amigos e amigas, e conhecer tanta gente boa espalhada por Floripa e que eu ainda não conheço.
Terei tempo de ver os meus filmes, tão atrasados, e retomar o meu blog com críticas e comentários. Que por muito tempo, foi o meu canal de escape para manter a minha alma de jornalista.
Vou resgatar o hábito de andar de bike, de andar à pé, sem pressa, sem direção, apenas curtindo uma música ou os sons da rua. Quem sabe, quando fique mais quente, não resgate, depois de mais de uma década, a minha velha prancha?
Também quero ir a shows bacanas que vão rolar em Floripa e, quem sabe, até em outras partes. Escutar boa música e ver ela fluir sempre foi um dos meus prazeres.
Ah, tudo que eu vou poder fazer... talvez eu volte a cantar ou, mais pra frente, a estudar. Talvez um idioma, ou uma outra filosofia qualquer - barata ou cara.
Também vou voltar à Madrid, minha segunda - ou terceira? - cidade do coração. Tenho saudades infinitas das pessoas que deixei lá, da aura da cidade, de suas ruas, de suas cores, de seu jeito diferente de pulsar.
Voltarei para Madrid, logo mais. E se for a outros lugares, será apenas um "plus" de viagem. Porque meu coração pulsa em Madrid.
E vou ter tempo de namorar. Quem sabe, até, de viver aquele grande amor. Aquele, que está pronto para cair no meu colo, sem avisar, rompendo as minhas certezas, agitando minhas noites sem dormir e meus dias de cansaço feliz.
Agora sim, eu acho que vai.
Deixo um monte de coisas que estavam demorando para passar se esvair, transcender as pontas dos meus dedos, evaporar da minha mente, seguir o seu curso.
Quero a falta de compromisso com uma grande causa por um tempo. Quero não ter um grande propósito, além daquele que eu mais prezo, que é de cuidar e apreciar as pessoas que eu amo, por um bom tempo.
Acho que, no fim das contas, e depois de passar por tantas coisas, eu mereço.
Pois que venha essa tal vida nova!
E só para deixar esse texto ainda mais longo, vou citar uma certa letra de música. Ok que vai demorar para a Primavera, a estação chegar. Mas e quem disse que precisamos seguir o calendário? :)
"... Venha
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha
Que o que vem é perfeição!"
Depois do luto
Quanto tempo demora para terminar um luto?
Tudo depende de que luto estamos falando.
Quanto tempo demora para terminar o luto pela perda de uma pessoa querida? Ou pela morte de um amor? Ou ainda pela constatação de que parte da pessoa que você era não existe mais?
Há algumas semanas, a conversa com uma pessoa querida para quem eu dei uma carona, em Florianópolis, me fez perceber que já era hora de por fim à um luto que estava durando tempo demais.
Luto esse que era uma junção de várias dores. E que vinha cobrando um preço que eu mesma não tinha me dado conta, até então.
O mais curioso é que o último luto, justamente o mais difícil, porque imprime uma ausência incontornável, foi justamente o que me ajudou a despertar.
Ninguém escolhe por quanto tempo dura um lamento. Mas é fato que chega o momento, mais cedo ou mais tarde, dele terminar. E de seguirmos em frente.
Fiquei feliz do meu luto terminar. Especialmente porque, com o fim dele, consegui o ânimo para avançar de forma decisiva no maior desafio da minha vida até agora: o meu doutorado.
Estou há poucos passos de terminar a primeira versão da minha tese. E daí, meus bons leitores, é esperar pelos ajustes necessários, fazê-los e esperar a hora de apresentar o resultado final de tanto trabalho. Não me importa se isso vai acontecer este ano, ou apenas no próximo. O importante é terminar esta fase.
E o que virá depois? Não tenho a mínima ideia. Bem, algumas ideias eu até tenho...
Tenho muitas vontades, várias possibilidades. O tempo dirá para onde eu vou. Para mim, mais que ter certeza, o importante sempre foi ter possibilidades. E, após esta fase, com certeza eu terei mais possibilidades que antes, quando não havia começado este longo desafio.
A vida dá voltas, e a gente sofre em algumas destas voltas que a vida dá. Mas nada melhor do que terminar um ciclo, ainda que ele demore mais, algumas vezes, do que a gente gostaria para terminar.
Mas tudo termina. O que é bom, e o que é ruim.
Este ano quero revisitar alguns lugares que amo e, principalmente, reencontrar pessoas que me fazem muita falta. Será um presente, para mim, depois de tanto tempo de sacrifícios. E de presentes também.
Chega de sofrer, isso decidi há vários meses. E chega de luto, decidi há algumas semanas.
O que virá, daqui por diante, será melhor. Tenho certeza. E como sempre, agradeço pelas lições aprendidas. E pelas oportunidades que eu tive e tenho.
Certamente, nas próximas vezes, estarei mais atenta e preparada. Ainda que, para algumas perdas, nunca estejamos, realmente, preparados.
E vamos nessa, porque há muita coisa por fazer ainda. Bóra.
Quase um ano
Perceber todas as cores, as nuances, a importância de estar mais próxima.
Antes, viver a angústia de uma resposta. E ter a melhor alternativa de cidade que se poderia imaginar/planejar.
Na correria do cotidiano, nem sempre perceber todas as belezas e encantos tão procurados nesta tal Ilha.
Algumas vezes, ser abatida pelo cansaço (físico, mental, da alma), pelas horas de sono que se alongam muito mais do que a razão deixaria.
Depois da resposta positiva, novos desafios. Aprendizado. E a trilha de um caminho sem volta. E para o bem.
Conflitos, alguns não bem resolvidos. Cansaço. Decisão radical.
Pela segunda vez na vida, uma resposta positiva após o salto no abismo. Alívio.
Mais desafios e aprendizado. Alguns outros conflitos e o exercício da paciência.
Novo convite. E a dura negativa. A vocação chamava, mas as responsabilidades e as contas a pagar falaram mais alto.
Mas quando alguém tem algo a fazer, não demora muito para outra oportunidade surgir. Expectativa, torcida e, finalmente, o novo convite.
A volta ao conhecido que não é mais previsível. Novos desafios e aprendizado. Recomeço.
E a feliz convivência com pessoas e um modo de trabalhar que continua fascinando.
O velho e o novo. Em permanente diálogo. No trabalho, na vida, no amor, nas vitórias e nas perdas.
A vida nunca se repete, mas algumas vezes relembra fotografias e sequências antigas.
Estar longe de tantas pessoas que se gosta (e muito), mas sentí-las acompanhando os teus passos "a la vez".
Estar mais perto das pessoas que são, sem sombra de dúvidas, as mais importantes de uma vida. Gratidão, amor, sentimentos que palavras não podem resumir.
Avancei. Sem dúvida estou mais perto daquilo que eu quero ser.
Retrocedi. Neste quase um ano de Florianópolis, ainda não pisei em alguns terrenos que eu sei que eu preciso trilhar.
Mas estou mais perto de tudo em que eu acredito.
Neste tempo, fui mais sincera do que nunca. Me expus, me arrisquei, amei, sofri, curti poucas companhias boas e também um bocado de solidão. E não é a primeira vez.
Sem dúvida, foi um período intenso. De gangorra. Mas bem aproveitado.
Hoje vejo que estou, mais do que nunca, no caminho do bem.
"Tenho coragem e sei quem eu sou", como cantava o meu querido Renato Russo.
Hoje, mais que antes, tenho coragem e sei quem eu sou.
Tenho os meus valores, muito bem solidificados. Vivo intensamente o amor pela vida e pelas pessoas que me são queridas.
Tento compreender e aceitar as demais. Me esforço para isso. Hoje, mais que antes.
Entre os valores, prezo pela coerência. Neste último ano, fui mais coerente em tudo. E isso me faz bem.
Para resumir, estou muito feliz nestes dias que antecedem o meu aniversário de um ano na Ilha. E por isso, vou comemorar a data. Certamente, com um mergulho no mar.
E que muitos anos bacanas venham por aí. Os próximos, provavelmente, nesta maravilhosa cidade de Florianópolis.
E os demais, seja onde for, desde que seja para o bem. Saúde!
P.S.: Entre as várias coisas engraçadas que aconteceram nestes últimos tempos, voltei a ouvir 4 das minhas velhas, antigas fitas-cassete. Sim, antigamente eu tinha um toca-fitas no velho Fiesta.
Agora, com o carro do meu pai andando para cá e para lá em Floripa, estou ouvindo 4 das velhas fitas "resgatadas" do antigo armário do meu quarto em Blumenau. Uma verdadeira viagem no tempo. Bacana.
Março? Como assim?
Nossa, fazia tempo que eu não escrevia por aqui.
A razão disso tem muito a ver com o título deste post... não dá para acreditar que já estamos em março. E detalhe: que passamos da metade do mês.
Honestamente, parece que foi ontem o dia 1 de janeiro, quando tomei o meu primeiro banho de mar deste ano.
Hoje, dia 20 de março, tomei o meu segundo banho de mar no ano. Pois sim...
Muitas coisas aconteceram entre um banho de mar e outro.
Precisei de bastante tempo para descansar e repor as energias. Me recuperar.
2010 foi um ano intenso. Cheio de altos e baixos, de ganhos e perdas. E, sem dúvida, comecei este ano me recuperando um pouco de tudo.
Mas agora sim, me sinto bem. Relaxada. Foi o tempo da recuperação, de dormir mais do que deveria, de trabalhar um bocado (bem, na verdade, isso vai continuar) e de deixar coisas importantes para depois.
Hoje comecei o ano para valer. E este ano será grande.
Um ano para terminar um ciclo e começar um outro, há tempos esperado.
Está sendo e ainda será um ano muito bom. A partir de hoje, recomeço muitas coisas. E começo outras.
Março já está por aqui. E dentro de duas semanas, completo um ano nesta Ilha. Uma bela e interessante mudança na minha vida.
Estou feliz aqui. Ainda que, neste 1 ano, eu tenha vivido tantas coisas boas, e outras ruins. Mas estás últimas, já devidamente ultrapassadas, enterradas e afastadas de mim.
O meu novo ano em Floripa, que começa logo mais, em abril (no meu sentimento, ele já começou hoje), será ainda melhor que o primeiro. Sinto e pressinto isso.
Mas outra hora escrevo sobre isso. Por hora, só queria dizer que estou bem. Com as energias renovadas.
Preparada para este grande ano de 2011. E vamos que vamos, porque outros três meses não vão passar assim "nas nuvens" como estes três primeiros.
Vamos acelerar!
E até logo mais.
Luzes em Blumenau e uma prancha
Há algumas semanas me emocionei chegando em Blumenau.
Não apenas com as luzes esparsas na entrada da cidade, mas principalmente no cenário que eu encontrei após a curva do rio.
Chorei.
A razão é simples e complexa ao mesmo tempo.
Pela primeira vez, desde o final de 2008, vejo um iluminação de Natal e aquele espírito de festividades de final de ano realmente presente na cidade após 2008.
Morros caíram. Ruas ficaram submersas. Pessoas perderam casas, investimentos de uma vida inteira e, pior, perderam vidas importantes - de pais, mães, filhos, tios, e um longo etcétera.
Chegar na minha cidade e ver a "esperança no ar" novamente foi marcante. Mais. Emocionante.
Voltei para Floripa e a minha missão número 1 - planejada antes deste "choque" de emoção em Blumenau - era a de adotar uma carta do "Papai Noel".
Certa vez, contribui com uma bicicleta. Tempos de mais fartura. De menos aprendizado e de mais dinheiro na conta. Pouco importa.
Desta vez, contribui com uma prancha de surfe. E alguém quer algo melhor em Florianópolis?
Com todo o coração espero que a Sara, que não conheço, faça um lindo proveito da prancha neste Verão.
Que as ondas venham grandes, lindas, e que ela aprenda a surfar com segurança.
O Natal é tempo de muitas coisas. Para mim, essencialmente, de estar muito próxima das pessoas que eu amo.
E de agradecer. E de pedir pelas pessoas essas, que eu amo tanto. E de pedir por todas as pessoas.
Porque o Natal só tem sentido pela grande lição amorosa que aquele menino na manjedoura nos deu. Apenas isso. O restante, são acréscimos.
Mas vale comentar que estes acréscimos também são importantes.
Ok, o perdão é importante. O amor, o gesto verdadeiro de carinho. Mas realizar sonhos é algo mágico.
Aprendi, passando por dificuldades e aprendendo com elas, que poucas coisas são mais importantes que realizar os sonhos de outras pessoas.
Pois tente, meu bom e boa leitor/a, realizar alguns sonhos neste Natal. E perdoar. E amar. Isso faz toda a diferença.
Um lindo, iluminado e amoroso Natal para todos e cada um@ de vocês!!
Adeus ano do tigre
Esses dias, meu bom amigo Alexandre me lembrou de algo: que completou-se dois anos do desastre em Blumenau.
Morros caíram, ruas ficaram alagadas por bastante tempo, muitas e muitas pessoas perderam tudo o que tinham - e outras tantas morreram.
Lembro de tudo como se fosse ontem... E o simples comentário dele sobre isso me transportou para o final de 2008. E as lembranças foram pesadas.
Hoje, dois anos depois, posso dizer - e admitir - que ainda não me recuperei totalmente de 2008.
Naquele ano, passei por muitas e grandes mudanças na vida.
Minha família também. Foram momentos complicados e, só de lembrar deles, me sinto cansada.
O tempo passou e ainda estou me recuperando.
E daí veio 2010, o ano do tigre segundo o horóscopo chinês.
Este foi outro ano complicado, cheio de mudanças, de surpresas, de desafios.
Outra vez minha família passou por momentos difíceis - mas menos complicados do que aqueles episódios de 2008.
Para a minha sorte, desde 2008 eu estive perto dos meus queridos para enfrentarmos juntos - ou o mais próximos possível - estes problemas.
Isso, para mim, é algo fundamental. E cada vez mais.
De qualquer forma, mesmo que este ano do tigre tenha sido complicado, eu me sinto grata.
Aprendi um bocado. Ganhei muito. Perdi algo - ou algumas coisas - mas, no fim das contas, este foi um ano bom.
De aprendizado.
Bem que o horóscopo chinês tinha avisado: o ano do tigre seria um período "bastante explosivo", um ano de "desacordos e desastres de todo o tipo".
Um texto sobre o ano do tigre ainda avisava: "tanto nas amizades como nos negócios, será preciso confiança mútua, pois os laços feitos nesta época podem ser quebrados facilmente".
E seguia: "esse será um ano de mudança, uma oportunidade para a introdução de novas ideias e a superação de situações de risco".
Na mosca! 2010 realmente foi um ano assim - ainda que determinados laços não tenham sido fáceis de quebrar.
Agora, que venha o ano do coelho de metal!
Segundo alguns textos que eu li, 2011 será um ano mais "tranquilo, calmo e benéfico após um ano agitado e instável". Oxalá!!
Digamos que já era hora de um ano tranquilo.
O ano do coelho simboliza "a graciosidade, as boas maneiras, conselhos sadios, bondade e sensibilidade à beleza".
Alguém quer algo mais? Bem, eu até que quero... hehehehe. Quem sabe não será também o ano do amor? :)
O texto também fala que o ano do coelho é um ano de oportunidades, no qual as "leis e a ordem" vão exercer papéis fundamentais.
E a melhor parte do texto: "pode-nos parecer possível ser feliz sem demasiados cuidados". Para mim, isso será perfeito!
Em um outro texto, o autor comenta que 2011 será um ano em que "nós devemos apagar alguns pontos, curar as nossas feridas e começar com algum descanso após todas as batalhas do ano precedente".
E cá entre nós, meus bons amigos e amigas, tudo que eu quero é isso: um bocado de calma e cura. Está na hora de superar definitivamente 2008 e, porque não, 2010.
Pois que venha o ano do coelho!! E adeus, meu adeus carinhoso para este agitado ano do tigre. Vai em paz!
Bazinga!!
Morcheeba rola na vitrola enquanto escrevo estas linhas.
Lindo domingo de sol em Floripa. Acordei cedo e levei bons puxões de orelha na missa dos franciscanos.
Bom levar estes puxões. Ainda que o maior deles eu dei em mim mesma esta semana.
Está na hora de acordar. E voltei, pois, a melhor fase. Vamos que vamos!!
Cheguei em casa a tempo de assistir a final do vôlei feminino... ficamos na fila, mais uma vez.
Há tempos eu tinha desistido de ver aos jogos da seleção feminina por isso. Sofro, torço, e sempre perdemos.
Hoje podia ser diferente, mas não foi. Paciência. Um dia elas irão ganhar um Mundial. Quando deixarem de serem tão inconstantes.
Mas nem era sobre isso que eu queria escrever.
A intenção era - e é - comentar que esta semana vai começar boa. Porque o domingo e o sábado começaram assim.
A boa fase vai continuar. Tenho convicção.
Queria também falar das séries que adicionei ao meu "portfolio".
Além de acompanhar House M.D., Dexter, Grey's Anatomy, Fringe, FlashForward, Heroes (ela acabou?) e The Big Bang Theory, agora comecei a assistir The Event e, a melhor de todas - ou quase: The Walking Dead.
Agora entendo porque The Walking Dead virou febre. Nossa, que série fantástica! Começou com a mesma pegada certeira que fez Lost virar sensação mundial.
Por outro lado, The Event, para o meu gosto, começou com gosto de comida estragada. Muito óbvia, devagar demais. (Adendo: vou reformular o que eu disse antes. A série realmente começa devagar, mas lá pelo quarto episódio começa a ganhar corpo. Agora, estou achando ela beeeeem interessante. Tem momentos de tensão, suspense, está valendo seguir).
Das séries que assisto (adicione-se à lista, eventualmente, Californication e United States of Tara), nem todas estão com nova temporada agora.
Mas das que estão, até o momento, tem se destacado House, Greys's Anatomy (um tanto inconstante e repetitiva, mas ainda assim, boa), Fringe e a surpreendente The Walking Dead. Dexter começou mal, mas está se recuperando. TBBT parece viver um fase menos inspirada mas, ainda assim, é muito boa.
Se eu não assistisse a tantas séries, certamente, teria tempo para ver a mais filmes.
Mas estão certas as pessoas que dizem que os melhores roteiristas - eu diria que parte dos melhores - estão escrevendo para a TV dos Estados Unidos e não mais para o cinema. As ótimas séries exportadas pelo país comprovam isso.
Aceito mais sugestões de séries boas, se alguém quiser contribuir para a minha salada mista. :)
Grata! E uma ótima semana para vocês!!
Ganhos, perdas, cicatrização
Eu voltei. Finalmente.
Hoje, depois de uma longa temporada, pela primeira vez, reconheci esta pessoa que caminhava com os meus pés e sorria com a minha boca.
Passei uma temporada de estranhamento. E quando isso acontece, demora um tempo para perceber as causas e as alternativas para a situação.
Há uma semana, fui a um funeral.
A pastora foi muito feliz nas coisas que disse. E me fez chorar.
Primeiro, por comentar que devemos seguir o exemplo daquele que se foi... tornar-nos, também, "perfumes" nos nossos meios.
Depois, porque ela ressaltou o aprendizado que uma partida como aquela pode trazer. Afinal, a vida é muito curta, preciosa, e um dia termina para todos.
Realmente.
Mas demorei mais tempo. Não bastou o "mergulho" em duras verdades - já conhecidas e, algumas vezes, esquecidas na correria cotidiana. Esta semana ainda continuei em uma certa "letargia".
Daí, no meio da semana, o segundo passo: admiti que tinha um problema.
Até então eu não havia realmente percebido que vinha de uma fase de "depressão". Nada muito profundo ou grave - do contrário eu não trabalharia e nem conseguiria me divertir. Não fingiria tão bem, para as pessoas próximas e para mim mesma de que estava tudo certo.
Percebi esta semana que não. E quando admitimos o problema, reconhecemos ele, tudo fica mais fácil.
As razões para a minha fase "depressiva" - se ela pode ser chamada assim - só eu sei. E só eu continuarei sabendo.
Mas a notícia boa é que depois da reflexão do final de semana passado e da "queda" na realidade desta semana, hoje reconheci a Alessandra velha de guerra.
Que bom me sentir novamente por aqui, mais tempo do que naqueles breves e esparsos momentos deste reconhecimento que iam e sumiam nos últimos tempos.
Voltei, e estou feliz de voltar.
Como sempre, aproveito para aprender algo com tudo que acontece.
Desta vez, aprendi que nós ganhamos, perdemos, e que algumas vezes demora mais tempo e custa mais para que as feridas, os machucados e as dores cicatrizem/desapareçam.
Mas uma hora, em certo momento, o ruim passa e fica apenas o aprendizado.
Estou feliz de estar de volta.
Ah, e como é bom um dia inteirinho sem "obrigações", fazendo apenas o que eu gosto e quero. Há tempos eu não sabia o que era isso.
Antes que outubro acabe
O tempo tem sido cada vez mais curto.
Muitas vezes não consigo fazer tudo que eu gostaria. Mas tenho tentado.
Seria um crime se este mês terminasse e eu não escrevesse nada a respeito de algo fundamental na minha vida: os cinco anos, recém-completados, da minha ida para a Espanha.
Minha vida mudou com esta viagem. E eu sabia disso antes mesmo de embarcar naquele avião que me levou até Madrid há exatos cinco anos. Bem, agora, dia 31 de outubro de 2010, há pouco mais de cinco anos.
Antes de viajar, fiz uma escolha decisiva na vida. Ou eu iria para Madrid, ou casaria... ou algo do gênero.
Foi difícil a escolha naquela época... mas até um certo ponto. Porque quando fiz a pergunta derradeira, tudo se tornou mais claro. Afinal, com o que eu poderia conviver ou deixar de conviver para o resto da vida?
A resposta foi que eu deveria viver esta experiência de me lançar para uma (re)descoberta da vida, das origens e de tantas outras coisas indo para longe.
Minha vida não foi mais a mesma depois disso. E eu só tenho a agradecer por isto.
Sem dúvidas sou uma pessoa melhor hoje. Que entende muito mais coisas, outras realidades, outras pessoas (como deve ser).
Passei por uma série de "perrengues", de sacrifícios. Tive muitos momentos de alegria plena, de encontros fantásticos, mas também de situações complicadas. Mas - e seguindo com todas as minhas forças o chavão - eu faria tudo novamente.
Cinco anos se passaram. Parece mais e também menos tempo, "a la vez".
Pela saudade infinita que sinto dos amigos/as que deixei em Madrid e em outras partes, parece mais tempo.
Pelas experiências que passei, algumas vezes, também. Por outras questões, parece muito menos.
De qualquer forma, precisava escrever estas linhas. Agradecer por esta viagem que me modificou em muitos sentidos.
Me reencontrei com pessoas que nunca conheci - meus antepassados.
Entendi melhor os meus pais, à distância. Compreendi, na verdade, muitas coisas - de perto e de longe.
Acredito que me tornei mais paciente - ainda que me falte crescer muito ainda neste sentido. Sem dúvida aprendi que sou capaz de fazer quase tudo na vida, pelo caminho reto, para conseguir propósitos maiores.
E mesmo que eu ainda não tenha atingido estes propósitos maiores, estou no caminho.
Não perdi o foco e nem o horizonte. Algumas vezes me canso, admito. Em outras chego a duvidar... mas sigo trilhando a minha meta.
Cinco anos se passaram e uma nova vida foi conquistada. E uma das coisas mais incríveis que aprendi nesta experiência de morar na Espanha por três anos foi que sempre há alternativas.
Sempre há escolhas, e sempre é possível se escolher o bem.
Todos os dias mil oportunidades surgem à nossa frente, a questão é se estamos atentos à elas.
Espero aprender sempre. Também desejo ter forças e paciência para chegar aonde preciso.
Agradeço à todas as pessoas maravilhosas que fizeram parte da minha vida nestes últimos cinco anos. E quero dizer, a cada um/a de vocês, que sinto uma falta imensa e ao mesmo tempo sinto cada um e cada uma muito presentes aqui, comigo. E que vou levá-los para onde eu for.
Sou grata também por tudo que aprendi e por tudo que continuo aprendendo. A vida é grande, rica, fantástica.
Quero comentar também que o meu querido blog de cinema completou, em agosto, três preciosos anos de vida.
Tenho muito orgulho dele. Porque, a duras penas, consegui mantê-lo neste tempo todo.
Ele foi e é uma terapia para mim, muitas vezes. E uma grande fonte de satisfação por propiciar, a tanta gente, um espaço para a troca de ideias sobre cinema. Uma paixão, como vocês bem sabem.
Pois vida longa ao meu blog de cinema! E que eu tenha forças para continuar com ele por muito tempo...
Também desejo que tudo que eu aprendi nestes cinco anos, realmente, sirva para um propósito maior. Esta é a intenção. E vou batalhar por isto.
Obrigada, minha segunda pátria! O que você me deu não tem preço e nem medida.
E obrigada minha pátria primeira. Estou feliz de estar aqui novamente. Agora, é seguir e não deixar a peteca cair! :)
Comemoração
Estou vivendo dias de êxtase.
Primeiro, porque depois de mais de um mês, retorno para a minha cidade de origem para matar as saudades dos meus pais, colocando horas e horas de conversa em dia com minha mãe.
Isso não tem preço.
Depois, porque estou reencontrando meus melhores amigos, com quem eu não conseguia me encontrar há bastante tempo.
Isso também não tem preço.
Hoje, minha mãe fez um almoço todo especial para comemorar o meu retorno para o ambiente de uma redação.
Ontem eu já comecei a comemorar isso, com um querido amigo.
Porque é preciso mesmo comemorar.
Estou muito feliz, radiante mesmo, de voltar para o ambiente de um jornal diário.
Voltei para a reportagem. Estou adorando voltar a escrever, a buscar informação, a conviver com ótimos jornalistas.
Isso também não tem preço.
Para completar o quadro, andei refletindo muito na vida (como sempre, diga-se). No dom que alguns tem para iludir. Em histórias mal contadas, verdades nunca ditas, hábitos que não me fazem bem.
Mudei. E estou mudando ainda. Caminhando na trilha do aprendizado constante.
E, neste caminho, me valorizando. Não caindo em histórias mentirosas. Me preservando.
Voltei ao que era bom para mim. Voltei a ser repórter.
Voltei a frequentar a Igreja. A pensar no amor, na fé e na verdade como o que realmente interessa.
Eventos recentes só reafirmaram algo que tenho claro há algum tempo: a vida é muito frágil. Muito curta.
Por tudo isso, é preciso celebrá-la sempre. Dar valor à vida, ao amor que temos com as pessoas. Valorizar nossos pais, nossos amigos, as oportunidades mil que a vida nos dá diariamente.
E deixar de lado as ilusões, as mentiras, evitar tudo aquilo que nos faz mal.
E batalhar. Correr atrás. Suar a camisa e gastar os neurônios. Com o bem. Cuidando dos outros. Olhando com atenção para as pessoas. Cuidando para não ferí-las, para valorizá-las.
Tentando fazer com que o amor, a verdade e a vida realmente sejam nossos nortes.
No mais, só tenho a agradecer. E a seguir na minha vocação, voltando sempre ao que é bom. E descobrindo o que pode ser melhor.
Vamos em frente porque o futuro parece promissor.
A cada dia
Sim, tenho muitas coisas que comentar.
Sobre voltas, redescobertas, novos sentidos de antigas realidades.
Mas, agora mesmo, só quero comentar algo (e que resume absolutamente tudo):
Que a cada dia que passa, a cada hora mal dormida, a cada minuto, algo eu tenho mais claro do que nunca nesta vida:
A vida é feita de escolhas.
E elas definem, sem dúvida, todo o resto.
2010, mudanças e insistência
Fico emocionada quando percebo que alguém não desistiu de mim.
Porque é tão fácil as pessoas desistirem uma das outras...
Fiquei muito surpresa com o meu professor do doutorado que é, também, o orientador da minha tese.
Enviei para ele um esboço de artigo - por sugestão dele próprio - há alguns meses. Como o prazo para a revisão ficou curto, ele me disse que publicaríamos em setembro.
Mas eu havia esquecido do tema e qual a minha surpresa quando ele me envia o artigo revisado, por ele e por um bolsista.
Me emocionou. Especialmente porque qualquer outro teria desistido deste artigo. Mas ele não.
Também me emocionei, este ano, com amigos que insistiram, sempre que tiveram oportunidade, para que eu voltasse a trabalhar na Redação de um jornal.
Nenhum deles muito insistente, claro, porque eles também respeitam a minha vontade - de voltar ou de ficar afastada do jornalismo diário.
Ainda assim, fico emocionada toda vez que um destes meus amigos se dispõe a me indicar, a me apoiar. Não apenas por serem meus amigos, mas porque acreditam no meu trabalho, no que eu posso fazer.
Eles me emocionam.
Assim como me emocionam todas as pessoas que acompanham o meu outro blog, o Crítica (non)sense da 7Arte. A maioria destas pessoas eu não conheço pessoalmente e, volta e meia, elas me incentivam a continuar.
Gostam dos meus textos, das minhas dicas de filmes, e mesmo que eu fique quase um mês - ou realmente um mês inteiro - sem publicar nada, eles aparecem para cobrar a minha ausência.
Meu professor, meus amigos jornalistas, meus leitores do blog com críticas de cinema... nenhum deles desistiu de mim.
E é tão bom, algumas vezes, sentir isso. Especialmente quando nem eu sei ao certo para onde estou indo.
Se estou trilhando os caminhos que eu gostaria realmente. Se terei como conseguir tempo para tudo que eu preciso fazer... eles aparecem e dizem, de uma maneira ou de outra, que acreditam em mim.
Enquanto outras pessoas duvidam.
Muito bom saber que tem gente que acredita. Isso me alimenta, me anima, me faz avançar.
E 2010 está sendo um ano de muitas mudanças (ainda bem! Gosto muito de mudanças). Além de mudar de cidade, de estilo de vida, amanhã me lanço em mais uma mudança profissional.
Volto a trabalhar em uma Redação de jornal diário. E estou, admito, bastante empolgada.
Primeiro, porque é bom saber que estão apostando no meu trabalho. Depois, porque vou trabalhar do lado, literalmente, de um dos meus grandes e melhores amigos. E terei outros amigos e amigas queridos por perto.
Isso faz muita, mas muita diferença.
Terceiro, que é bom ter um desafio pela frente. Conheço bem o processo de um jornal diário. Assim como a empresa para a qual estou voltando.
E estou feliz em voltar. Bem feliz.
Vamos que vamos. Algo me diz que os próximos capítulos serão interessantes.
E mais uma vez eu tenho muito que agradecer a esta gente que continua acreditando em mim. Obrigada!
Da minha parte, vocês podem ter certeza, que eu vou continuar insistindo. Em vocês, em mim, em escrever, em aprender e em melhorar.
Sou fiel a todos e cada um@ por estas e outras razões. Obrigada, mais uma vez!
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