Segurem o rojão!!
No início desse ano, ao ver sinais importantes aparecerem por todos os lados, eu fiz uma leitura "à la Mãe Diná" (para quem não conheceu a dita cuja, ela foi uma "vidente" conhecida na antiguidade contemporânea catarinense, tendo até certa projeção pelo país). Previ que 2008 seria um ano porreta. E acertei em cheio. Ele realmente foi daqueles anos para não deixa poeira debaixo do tapete e que veio para testar nossas capacidades várias.
Pois para não perder a tradição de "adivinhar" algo e acompanhando o que anda acontecendo mundo afora neste fim de ano, nem vou esperar 2009 despontar no horizonte para dizer: o próximo ano vai ser foda.
Não para todos, claro, porque alguém sempre se salva. Mas para muita e muita gente, sim. Vai ser um ano de segurar o rojão, porque a tal crise chegará realmente na vida prática das pessoas. Por outro lado - e isso chega até a ser uma boa notícia -, o ano será de provações coletivas, não mais individuais, como foi 2008. O que acaba sendo até interessante, porque teremos que nos unir mais com as pessoas à nossa volta - conhecidas ou não.
Mas o tal ano foda não chegará com tanta força no Brasil, pelo que parece. Aqui haverá problemas também. Mas na Europa e nos Estados Unidos o bicho vai pegar. Como li em uma reportagem bacana da Superinteressante, isso tudo tem uma explicação. Enquanto em 2005 e 2006 os países "ricos" estavam crescendo que era uma belezura, o Brasil estava devagar, meio que patinando... ano passado e, especialmente, neste, o Brasil finalmente parece ter acordado. Por isso em 2009 a projeção é que ele ainda continue bem, ainda que o resto dos países parecem ter a curva descendente pela frente.
Mas o que motivou este texto mesmo foi a notícia que li agorinha: o PIB da Alemanha caiu e o país entrou em recessão. Eu (e a torcida do Flamengo) já sabíamos que a Espanha ia entrar em recessão. Mas a Alemanha? Se a economia mais sólida da Europa, o país mais desenvolvido do Velho Continente já entrou em recessão, o negócio é apertar os cintos mesmo.
Estou especialmente preocupada com meus amigos que ficaram na Espanha e com vários outros que estão espalhados por aí (Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Emirados Árabes, etc.). Tomara que o vendaval chegue pelo terreno de vocês já como brisa, sem força.
De qualquer forma, nunca é demais alertar: segurem o rojão porque 2009 será um ano complicado mundialmente. A palavra crise não sairá de cena. Mas, como todos sabem, em anos de crise também se abrem muitas oportunidades. Oxalá todos nós consigamos identificá-las, aproveitá-las e, dentro de pouco tempo, comemorar um ano difícil e bom ao mesmo tempo.
Meus bons amigos
Nestas últimas semanas e, especialmente, nestes últimos dias, minha família e eu temos recebido tantas mensagens e boas energias de meus amigos que, sei lá, é até difícil agradecer de maneira suficiente a tudo isso.
Só queria deixar registrado aqui o quanto eu sou AGRADECIDA a vocês, meus amigos e amigas, por esta relação realmente especial que nós temos. Estamos unidos. Sinto vocês comigo e recebo com alegria toda a força e energias boas que vocês nos mandam.
Sei que muitas coisas estão em jogo e contam para que uma situação difícil se resolva, mas tenho certeza que toda a oração, toda a torcida, os pensamentos positivos e as energias do bem que vocês todos estão nos mandando contribuiram e estão contribuindo para que tudo saia bem.
Serei eternamente grata a vocês. De verdade. A maior riqueza da minha vida foi ter conhecido tanta gente boa. E ter vocês comigo aqui. Obrigada.
Falta de espelhos
Ultimamente tenho pensado muito nas pessoas tão cheias de razão. E existem muitas delas por aí.
Acho bastante cômico quando alguém aponta um dedo para você ou, quando lhes falta coragem para isso, falam de maneira indireta sobre os seus defeitos. Eles estão tão certos de si mesmos. Normalmente, estas pessoas não convivem contigo há algum tempo, mas se acham no direito de te julgar por idéias que formularam de você.
Por dentro, normalmente, começo a rir quando uma pessoa com estas características me aponta o dedo. Mas, algumas vezes, admito, meu sangue começa a borbulhar. Mas eu sei, no fundo, que o dedo direcionado para a outra pessoa é, na verdade, uma auto-crítica nunca feita pelo acusador.
Em outras palavras: normalmente quem critica os outros, na verdade, está falando de seus próprios defeitos.
Também acho muito engraçado quando alguém interpreta, com uma proclamada exatidão de julgamento, o comportamento alheio. "Você falou isso e aquilo devido a tal e tal coisa. Você age de tal maneira porque sei-lá-o-que".
As pessoas que tem muita necessidade de julgar os outros, para mim, deveria ter a necessidade urgente de adquirir espelhos. São, como posso dizer de maneira singela, aleijados da auto-crítica. Afinal, é mais fácil apontar os defeitos (alguns reais, outros nada verdadeiros) alheios do que admitir os próprios. Estas pessoas parecem ter uma estranha necessidade de se sentirem superiores ao agredir os demais. Há quem acredite que seja uma atitude de autodefesa, de autopreservação, uma resposta a alguém que lhes provoca medo.
Na verdade, para mim, tanto faz a real motivação destas pessoas. Acho essas atitudes simplesmente pobres, pequenas. Eles estariam aprendendo muito mais descobrindo características de si mesmos que desconhecem.
Algumas vezes eu lembro de acusações que eu já recebi. Há muito tempo atrás, um ex-namorado me disse: "você força a sua segurança". Curioso. A pessoa que me apontava o dedo era, justamente, o inseguro da relação. Líder estudantil, conhecido dentro do meio universitário, ele no fundo tinha realmente problemas de auto-estima. Acabou me acusando justamente do que ele era. Acho que qualquer pessoa que me conheça relativamente bem sabe que a minha segurança e força não são nada "forçadas".
Há muito tempo atrás, quando eu era adolescente, ouvi de uma pessoa que deveria me conhecer bem - mas que nunca me conheceu bem, na realidade - algo curioso: de que eu tinha "duas-caras", era uma coisa dentro de casa e outra coisa fora. Claro que eu nunca concordei com isso, até porque eu acho que uma das minhas qualidades principais sempre foi a de , justamente, atuar com todas as pessoas da mesma forma.
Nunca me importou o cargo que a pessoa tem na sociedade, sua origem, nível de estudo, nível cultural, enfim... e isso foi se "agravando", assim como outras características minhas, com o tempo. Ajudou muito neste processo o meu trabalho como jornalista, porque com ele eu conheci as pessoas mais simples e algumas realmente "importantes" (entre aspas mesmo porque, para mim, todos são importantes). Depois, minha vivência fora do Brasil contribuiu com isso.
Se você é educado comigo, não importa quem você seja, eu serei educada também. Se você é gentil, prestativo, sincero, serei um espelho para as tuas atitudes. Agora, venha com grosseria, desrespeito, arrogância... ah, meu amigo e minha amiga, dependendo de como você me encontrar, dependendo do meu humor, sai de baixo. E pouco importa "quem" você é.
Interessante que essa mesma pessoa que um dia me disse que eu era duas-caras, agora me acusou de que eu trato todos iguais, e não deveria. Me disse que eu não devia tratá-lo como eu trato esses "meus amigos de Orkut", essas pessoas que eu conheci na Espanha (os espanhóis são, em geral, bem mais "grossos", no sentido de diretos e, algumas vezes, mal-educados, do que os brasileiros). Ah tá, então agora é um defeito tratar todos de forma igual. E um detalhe: eu não sou igual com todos. Tenho uma paciência com o meu acusador que eu não teria com 90% das pessoas que eu conheço. Então, em número, género e grau eu não concordo com essas acusações contraditórias.
E daí chegamos ao final deste texto: gosto de críticas. Quem trabalhou comigo sabe que sempre estou pedindo um feedback. Mas só aceito de verdade e absorvo as críticas das pessoas que admiro e que eu acho que me conheçam um bocado, pelo menos. Agora, dos que não me conhecem e saiem apontando os dedos, não, obrigado. "Yo paso", como se diz na Espanha.
Realmente faltam espelhos no mercado. As pessoas deviam exercizar mais o saudável hábito de olhar para si mesmas, não para se vangloriarem, mas para se conhecerem melhor, saber onde acertam e onde erram, mais do que terem pressa em julgar os demais. Antes de achar que tem certeza de como o outro pensa, acusando-o de que ele age de determinada maneira por tal ou qual razão, por que não simplesmente perguntar para esta pessoa porque ela age assim?
Ah, mas isso não é tão simples. Exige humildade. Exige o exercício de admitir que você pode estar errado ao ter determinada impressão. Pelo visto não é todo mundo que consegue fazer algo asism. Escutar. De verdade escutar e entender o que é diferente de você. Ou mesmo tirar os olhos do próprio umbigo.
E tudo isso me faz lembrar uma frase de uma música da Legião Urbana: "(...) ah, bondade sua me explicar/ com tanta determinação/ exatamente o que eu sinto, como penso e como sou/ Eu realmente não sabia que eu pensava assim (...)". Rir é o melhor remédio, algumas vezes. O problema é quando a piada perde a graça. Tem dias que realmente a gente se cansa. Mas daí vem a lógica da vida: nada como um dia após o outro. A cada dia todos nós temos uma nova chance.
Voltar ao que é bom
Uma das coisas boas da minha nova vida, sem trabalhar - e, ao mesmo tempo, me organizando para em breve trabalhar MUITO - é voltar a ler as revistas que eu gosto.
Tenho uma coleção de revistas. Praticamente um armário dos grandes cheio delas. A idéia, há muito tempo, foi ir acumulando leituras bacanas para um futuro centro cultural popular.
Mas tudo isso para dizer que estava lendo a Bravo! deste mês e que ela está muito boa. Realmente.
Entre outros textos interessantes e uma entrevista bacana com José Saramago, li uma crônica ótima de Paulo Roberto Pires sobre o teatro. Publico aqui um trecho bem curto:
"(...) Mas, dizia o Otto Lara Resende, ultimamente se passaram muitos anos e eu não estou me sentindo muito bem. E o teatro de vanguarda, assim como Minas Gerais, está onde sempre esteve, numa brecha espaço-temporal entre o sublime e o ridículo - mais perto deste do que daquele, bem entendido. (...)".
Em outro texto, uma ficção assinada por Cristovão Tezza, gostei desta frase: "(...) havia em tudo, pensei, o gelo de alguém que se aferra a um outro tempo". Ele se referia ao ambiente familiar, à casa, resumindo, de uma velha senhora.
O texto todo dele é muito bom. Também recomendo textos sobre Cildo Meireles e Damien Hirst.
Poucas coisas eu acho tão interessantes do que textos muito bem escritos. Sou uma adicta a isso.
Milton
Hoje estou no meu dia de Milton Nascimento.
Só quero ouvir a ele... talvez, até o final do dia, também um pouco de Chico Buarque.
Agora mesmo, na voz dos dois... O Que Será:
"(...) Será que será
o que não tem descência, nem nunca terá
o que não tem censura, nem nunca terá
o que não faz sentido
o que será que será
que todos os avisos não vão evitar
porque todos os risos vão desafiar
porque todos os sinos irão repicar
porque todos os hinos irão consagrar
e todos os meninos vão desembestar
e todos os destinos irão se encontrar (...)"
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