Um blog "de los raros"

 

Como eu sou a minha própria "chefe", ou seja, como defino a velocidade com que trabalho diariamente no meu doutorado, normalmente defino para mim mesma uns desafios semanais.

 

Do tipo: "Esta semana vou analisar dois blogs novos para o doutorado", ou algo do gênero.

Há umas duas ou três semanas a minha programação têm furado. O que me deixa um pouco frustrada, um tanto irritada e, desta vez - porque ela não é a primeira -, meio de saco cheio. Por consequencia, relaxei esse meu ritmo nas duas últimas semanas e não esbocei mais os famosos desafios semanais.

 

O "responsável" por isto é um blog gigantesco, que tem muitas atualizações e, principalmente, um grande volume de interação entre seu autor e seus leitores. Acredito que ele é o que está me dando mais trabalho para analisar desde que comecei esta parte do projeto de análise de conteúdo e coleta de dados.

 

Mas querem saber? Esta semana eu voltei a fazer um cronograma para a semana e vou cumprí-lo.

E deixo aqui o endereço deste blog... porque ele é o que me deu mais trabalho até agora e, ao mesmo tempo, o que mais me interessou, me fez pensar - inclusive em coisas da minha vida - e, principalmente, o único que me emocionou até agora. E me fez dar risada um monte de vezes. Enfim, um grande blog de um sujeito que parece ser superinteressante. Sem dúvida é um destes blogs "raros", ou seja, pouco comuns. Pela qualidade e pelo nível de exposição das pessoas.

 

Quem tiver interesse, tempo e quiser ler uns textos divertidos (e algumas vezes bem emocionantes) em espanhol, recomendo o blog de Ikusuki - http://ikusuki.blogspot.com/

 

Calar ou falar

 

Muitas vezes as palavras sobram. Ou, visto de outra forma, o que podia se cristalizar em palavras se solidifica de outra forma.

 

Um zilhão de coisas aconteceram nos últimos meses. Eu teria dezenas de textos, provavelmente, para falar de tudo. Mas resolvi me calar.

 

Não por falta do que dizer, mas talvez por excesso - não apenas de palavras, mas de sentimentos, sensações. E como bem afirma a música Todos os Verbos, do novo CD da Zélia Duncan - maravilhoso, aliás -, "Calar é tático". Pois sim.

 

Mas acho que chegou a hora de voltar ao meu "normal". Ou seja, de falar mais e calar menos. O engraçado que o processo que me trouxe de lá - fase do silêncio - para cá - fase de querer voltar a falar - passou por uma ferramenta internáutica que anda "na crista da onda" há um tempinho... o Twitter.

 

Esta joça chamada Twitter é viciante. E consome um tempo do caramba! Tanto é verdade que entrei nele atrasada - muita gente já estava viciada nesta história muito tempo antes - e vou sair adiantada. Não vou terminar com a minha conta. Não. Mas revi meus conceitos e, ao perceber o quanto o Twitter nos rouba tempo e nos deixa interligados demais, resolvi desligá-lo do meu Firefox e utilizá-lo apenas em ocasiões muito, muito pontuais. Basicamente, para falar de assuntos de cinema.

 

Mas o Twitter foi útil para mim por me estimular a estar "mais ligada" ao besteirol de coisas que acontecem diariamente (algo que deixei de fazer quando parei de assistir a TV, inclusive na Espanha) e, em especial, por me fazer voltar a escrever sobre meus gostos, sensações, sobre o que eu andava fazendo. Foi bom... quebrou uma capa de gelo que talvez tivesse se formado sem que eu percebesse.

 

Bem, escrevo isso só para dizer que estarei mais próxima deste e do outro blog - o de cinema -, assim como do meu fotoblog, e que vou deixar o Twitter em quinto plano.

Também escrevo para dizer que estou bem. Ainda que, admito, tenha passado por muitos altos e baixos ultimamente. Mas o bom é que eles foram vividos como devem ser... com um bocado de susto, bastante reflexão, um tanto de exagero e de falta de direção. Mas agora, aparentemente, tudo caminha de forma mais tranquila.

 

O lado bom de estar onde eu estou, da maneira como estou e fazendo o que eu faço é que eu acabo tendo muito tempo para olhar tudo em perspectiva. Estudar diariamente o que os outros sentem, vivem e comunicam, fazer uma análise dos conteúdos dos blogs, também joga comigo, indiretamente.

Também a paz e o tempo que o fato de morar sozinha me traz, ajuda a rever conceitos, planos, desejos, necessidades, caminhos traçados. Este desafio será longo ainda. E talvez só agora eu comece a entender tudo o que significou (e significa) ter vivido o que vivi na Espanha.

 

Como diz o mitólogo Joseph Campbell - tenho que ir atrás de algum livro desse homem -, "ir aonde o corpo e a alma querem ir abre portas em lugares inimagináveis". Eu sempre quis viver na Espanha por um tempo. E essa experiência realmente parece ter aberto portas em lugares inimagináveis. Muitas delas, que ainda sou incapaz de ver. Mas tudo virá... a seu tempo.

 

Estou de volta. Aos 30, muito mais consciente, segura, e perdida, brutalmente perdida, algumas vezes. Mas é isso mesmo... este é o processo de reconstrução. Estou em terreno conhecido.

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