Vida nova

 

Uma nova vida se avizinha.

Vejo ela chegar, de mansinho, enquanto me recupero do último alerta.

Sim, porque a vida é breve, é frágil, e você nunca sabe até quando vai continuar nesta aventura.

 

Muitos podem dizer que talvez seja cedo para uma pessoa como eu, com a idade que eu tenho, escrever estas coisas.

Mas quem já viu o que eu já vi, quem já conheceu tantas pessoas fantásticas e viu tanta gente boa partir, além de ter passado, com a própria pele, por algumas situações perigosas, sabe que a idade tem pouco a ver com isso de ter a garantia de muito tempo.

Desta vez, contudo, não escrevo para falar de fragilidades. Mas de fortalezas.

 

Como eu dizia, vejo uma nova vida se aprochegando. Vindo de mansinho.

Meu próximo Verão em Floripa terá um ritmo bem diferente deste último. Porque o certo de quem mora na Ilha é aproveitar cada dia de sol e de folga da maneira mais extraordinária possível.

Algo que não fiz no último Verão e nem na última Primavera.

 

Na verdade, desde que me mudei para Florianópolis, não consegui viver a cidade plenamente, como é de meu feitio. Sempre havia o peso da minha tese para perturbar os meus dias livres. Certo, não vou mentir que nunca consegui me livrar deste peso, mas foi em raras e prazerosas ocasiões, apenas.

Também tive outras perturbações no caminho. Mas elas não passavam por compromisso, como a minha tese. Eram mais uma questão de inocência... sabe quando criança cai em histórias que qualquer adulto saberia que não são reais? Pois é.

Algumas vezes ainda caio nessas... Mas não me arrependo, porque nunca quero perder a capacidade de acreditar. O dia que eu deixar de acreditar, por favor, me enterrem.

 

A diferença é que agora eu não tenho mais o peso.

Nesta quinta-feira, em um dia de licença médica, consegui costurar a conclusão da minha tese, que estava já meio escrita, e coloquei um ponto final nesta novela que vinha consumindo grande parte do meu tempo livre, do meu ânimo, do meu desânimo, das minhas energias e pensamentos desde que voltei para o Brasil.

Bem, muitas outras coisas também me consumiram no caminho. Inclusive coisas muito mais importantes que a minha tese, devo dizer.

Mas essas já são outras histórias - algumas já contadas por aqui, outras que talvez eu nunca conte.

 

Minha nova vida começa agora, definitivamente.

Claro que terei que fazer 1 milhão de mudanças na minha tese. Mas agora passei o bastão para o meu professor. Antes dele devolver ela para mim e seguirmos nessa troca até afinar o material para que ele possa ser apresentado.

E aí sim, vida nova ao quadrado.

 

Mas até lá, me contento com a perspectiva desta vida nova imediata.

Agora sim, terei tempo para ler o que eu quiser, nas horas livres... em casa, com o sol entrando pela janela da sala. Sem estresse, ou preocupações. Ou na rua, em um banco qualquer de uma praça, em um parque ou com os pés enfiados na areia de uma de tantas praias de Floripa.

Vou poder voltar a frequentar festas, bagunças, sem desculpas para negar os convites. Terei tempo de rever grandes amigos e amigas, e conhecer tanta gente boa espalhada por Floripa e que eu ainda não conheço.

Terei tempo de ver os meus filmes, tão atrasados, e retomar o meu blog com críticas e comentários. Que por muito tempo, foi o meu canal de escape para manter a minha alma de jornalista.

Vou resgatar o hábito de andar de bike, de andar à pé, sem pressa, sem direção, apenas curtindo uma música ou os sons da rua. Quem sabe, quando fique mais quente, não resgate, depois de mais de uma década, a minha velha prancha?

Também quero ir a shows bacanas que vão rolar em Floripa e, quem sabe, até em outras partes. Escutar boa música e ver ela fluir sempre foi um dos meus prazeres.

Ah, tudo que eu vou poder fazer... talvez eu volte a cantar ou, mais pra frente, a estudar. Talvez um idioma, ou uma outra filosofia qualquer - barata ou cara.

Também vou voltar à Madrid, minha segunda - ou terceira? - cidade do coração. Tenho saudades infinitas das pessoas que deixei lá, da aura da cidade, de suas ruas, de suas cores, de seu jeito diferente de pulsar.

Voltarei para Madrid, logo mais. E se for a outros lugares, será apenas um "plus" de viagem. Porque meu coração pulsa em Madrid.

E vou ter tempo de namorar. Quem sabe, até, de viver aquele grande amor. Aquele, que está pronto para cair no meu colo, sem avisar, rompendo as minhas certezas, agitando minhas noites sem dormir e meus dias de cansaço feliz.

 

Agora sim, eu acho que vai.

Deixo um monte de coisas que estavam demorando para passar se esvair, transcender as pontas dos meus dedos, evaporar da minha mente, seguir o seu curso.

Quero a falta de compromisso com uma grande causa por um tempo. Quero não ter um grande propósito, além daquele que eu mais prezo, que é de cuidar e apreciar as pessoas que eu amo, por um bom tempo.

Acho que, no fim das contas, e depois de passar por tantas coisas, eu mereço.

 

Pois que venha essa tal vida nova!

 

E só para deixar esse texto ainda mais longo, vou citar uma certa letra de música. Ok que vai demorar para a Primavera, a estação chegar. Mas e quem disse que precisamos seguir o calendário? :)

 

"... Venha

Meu coração está com pressa

Quando a esperança está dispersa

Só a verdade me liberta

Chega de maldade e ilusão

 

Venha

O amor tem sempre a porta aberta

E vem chegando a primavera

Nosso futuro recomeça

Venha

Que o que vem é perfeição!"

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