Do bálsamo (e sobre o medo)

 

Não importa como eu estou. Se estressada, pelo trabalho ou por pessoas desafinadas próximas, pensando que são o máximo (mas que são horríveis, cantando e fazendo tantas outras coisas ridículas).

Ou se tranquila, em paz, com o espírito e a cabeça em estado pleno.

A música sempre me acompanha.

 

E não deixa de ser curioso que as minhas férias serão pausadas pela boa música.

Tenho, antes mesmo de viajar para Madrid, alguns compromissos marcados.

A grande parte deles, envolvendo a música.

 

Alguns, agendados por amigos. Um, específico, por uma obstinação.

A música me acompanha. Me salva. É o meu bálsamo. Em tantos e indescritíveis momentos.

E ela, a música, é quem vai cadenciar boa parte da minha visita à Madrid.

 

Estou na expectativa antes mesmo de zarpar.

Só eu sei a importância de alguns reencontros. Tenhos amigos e amigas de alma, por lá. De quem tenho muita saudade.

Será lindo reencontrá-los.

Além disso, devo reencontrar muitas outras coisas. De legados até sentimentos.

 

Importante tudo isso. Mas os últimos encontros, em Floripa, tem feito com que eu pensasse menos em bálsamos, como no exemplo da música, e mais sobre medos.

Por que as pessoas tem tanto medo? E de tantas coisas?

Uma isso. De veras.

 

Hoje reencontrei uma querida amiga. Há tempos tínhamos dificuldade em nos encontrarmos... mas agora estou de férias!

E decidi ir caminhando até um local próximo para encontrá-la. Esse trajeto pareceu assustador para duas das minhas amigas.

Uma, de São Paulo, não entendia muito bem como eu poderia cogitar de vir caminhando, sozinha, pouco mais de 1 km.

A outra, há mais tempo em Floripa, também insistia na carona.

 

Difícil explicar para as pessoas porque eu fui e queria vir de volta, da noitada, caminhando, sozinha, esse trajeto.

Eu não tenho nada a perder. Bem, tenho a vida a perder, verdade.

Mas quem já esteve em experiência de quase morte, sabe o quanto isso é diferente de simplesmente viver.

Não ter muito a perder quer dizer ter tudo a perder. E se pensa na vida. Nas pessoas. No que importa, e no que não.

 

Eu sabia que o trajeto da minha volta não significava risco. Do contrário não teria vindo.

Prezo muito a minha vida, devo dizer. É o melhor bem ou presente que eu tenho ou possa ter.

Mas as pessoas se paralisam.

 

Não sabem exatamente o que podem perder, ou como.

Do contrário, não desperdiçariam tanto da vida com nada. Ou pouco.

Não ficariam presas de relações já terminadas. De pessoas incapazes de amar.

Certo, nem sempre é fácil. Mas é preciso seguir.

 

O fato é que as pessoas temem ficarem sozinhas.

Mas muitas vezes, e eu me arriscaria a dizer que na maioria das vezes, é melhor estar sozinha.

Do que estar com alguém que não sabe amar. Ou não sabe respeitar o outro como igual.

Falta coragem para as pessoas. E para outras, falta apoio.

 

Nisto tudo, só sei que a música me salva. Assim como a certeza que nunca estou sozinha.

Estou com outras pessoas. Amigos e familiares amados. De coração. E eles estão comigo. Como Deus.

Todo o tempo.

Então por que ter medo? Bobagem. A certeza e tudo o mais está aí, na nossa frente.

Para partilharmos. Então façamos.

 

E agora, vou viajar. Sei que essa viagem vai trazer muitas músicas e shows especiais.

Sem contar os encontros... a vida é bela, pois. E generosa.

Depois de ver determinadas caras, perdas, a perda de tudo, de todos, encontrar todas as possibilidades outra vez é um grande, grande presente.

Agradeça a ele, veja a lua, ajoelhe, e dê um grande sorriso no teu rosto. O que vier será lindo.

Porque a generosidade não tem fim. E que venha Madrid. E tudo o mais!

 

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