Um dia de sol

Estou morando na praia. E adoro.

Na verdade, devo admitir, gosto muito mesmo é de morar sozinha.

Mas a praia, convenhamos, é um lugar excelente para se morar. Primeiro, pela energia que uma cidade que recebe o mar sempre possui. Depois, porque por ali, não importa o quanto o Verão seja quente, sempre circula uma brisa. E a maresia, que algumas vezes inspira - e outras vezes cansa.

A questão é que, eu tenho dito sempre, desde que me mudei para a praia, eu estar lá ou em um bunker na Alemanha dá, praticamente, no mesmo. Há muitos dias em que eu não saio de casa ou, pelo menos, do terreno no qual ela está construída. E dizendo isso, estou sendo literal.

Fico trabalhando horas e horas no computador. Algumas vezes, me distraindo com o FarmVille do Facebook ou monitorando meus e-mails para "desestressar". Ou cuidando para que meu blog de cinema não fique tão desatualizado.

Quando vejo, o dia passou e eu não consegui, mais uma vez, nem dar a minha pedaladinha de bike - o que eu gostaria de fazer diariamente, mas quase nunca consigo.

Também tenho desenvolvido umas manias... como a de querer me estirar na areia da praia apenas pelas manhãs. Resolvi que não curto "pegar praia" de tarde. Na verdade, desde criança, sempre preferi ir pelas manhãs... só que agora isso virou lei.

O problema é que, ultimamente, são raros os dias em Santa Catarina em que os dias amanhecem ensolarados e que fiquem assim. Normalmente, o céu começa seu dia meio nublado e, só depois, começa a predominar o azul. E eu não tenho paciência para isso também.

Então, sendo assim, resolvi que só vou para a praia pegar sol e tomar banho de mar quando o dia estiver completamente azulzinho.

E isso aconteceu ontem, quinta-feira, dia 19 de novembro. Depois de vários dias de previsão de sol - que não se confirmava, pelo menos não com aquele céu azul indefectível -, nem fiz questão de acordar muito céu. E aí... aquele espetáculo de bóveda celestial sem nuvens. Eu tinha que ir para a praia.

Foi a segunda vez em três semanas. Pois sim. Pior que só consegui sair com a minha bike depois das 9h30min. Mas tudo bem, porque da outra vez eu também fiquei pouco mais de duas horas no sol. Mesmo com MP4 a verdade é que já não tenho mais tanta paciência de ficar lá, imóvel, deitada, me torrando.

A falta de resistência para isso passa pelo fato de que fico pensando em tudo que eu poderia estar fazendo naquele tempo e, para ser franca, em uma dificuldade física mesmo de aguentar tanto calor por tanto tempo.

Bem, como da outra vez, eu aproveitei a ida para a praia para pedalar um pouco. Uma maneira discreta também de me distanciar do "povo" e ir para um lugar mais remoto. Há anos não curto muvuca e sim lugares mais "solitários".

Novamente, parei minha bike perto de um corrimão, onde a deixei presa. Desci as escadas, estendi a minha manta, passei o protetor solar, coloquei os fonos de ouvido, os oculos escuros e me joguei no trabalho de fotosíntese. Algumas vezes, dava uma espiada no céu azul, no mar e na vastidão de praia praticamente deserta - com algumas pessoas um tanto distantes.

Volta e meia alguém passava por ali, caminhando, correndo... ou então na rua de cima. Eu ficava alerta também porque, afinal, se alguém quisesse me atacar ali, seria interessante que eu tivesse preparada para dar algum tipo de resposta - porque conseguir ajuda de alguém seria quase impossível.

Nestas, quando passava certamente de 11h e quando eu tinha voltado de tomar um banho de mar - e estava me secando sentada sobre um providencial (e já conhecido) tronco de árvore deixado na areia, um garoto pára com sua bicicleta ao lado da minha. Ao olhar para ele, a figura pede para que eu dê uma olhada em sua bicicleta. Eu digo:

- Mas você não vai demorar, não é?

Ele não me entende, e acho que na terceira vez que eu repito a frase, ele comenta que "Não, só vou dar uma caminhadinha (fazendo um gesto que iria descer até a areia)". Eu respondo:

- Ah tá, beleza.

A figura desce - era um garoto de estatura mediana, pouco mais alto que eu, moreno, um tanto forte - e começa a caminhar no sentido contrário ao que estava a minha manta. Fiquei ali sentada, mas pouco depois me levantei para ficar de frente para a bike dele. Vi que a única pessoa na praia, além de nós, era um homem que se aproximava caminhando, ainda um bocado distante.

Ok, eu pensei, espero que essa figura vá fazer a sua caminhada, tome seu banho de mar, se ele quiser, volte e saia fora com sua bike, sem maiores grilos ou problemas.

Notei que ele foi, caminhou um pouco, e veio voltando... não entrou no mar. Chegando perto de mim, ele perguntou se a água estava boa. Eu disse que sim. Daí ele veio mais perto e se apresentou, me estendendo a mão. Eu o comprimentei e falei um nome falso. Ato estranho.

Também pode ter sido impressão minha, mas achei que além da mão, ele queria me comprimentar com beijinhos - eu ignorei. Daí começou a puxar papo. Me perguntou onde ficava a "estátua do surfista", e eu disse que não conhecia nenhuma... até que me lembrei de uma, que fica no Costão das Pedras Brancas e Negras. Expliquei como chegar lá e, quando reparei, ele estava se sentando no tronco da árvore - mas ficamos com uma certa distância um do outro.

Só sei que tive uma das conversas mais interessantes e surpreendentes dos últimos tempos.

No papo com ele - infelizmente a minha falta de memória me impede de conseguir lembrar seu nome -, fiquei sabendo sobre boa parte de sua vida, sobre a violência em Barra Velha (praia onde estou morando), os locais mais perigosos, as melhores partes da praia para pegar onda (caso um dia eu resolva tirar da aposentadoria a minha antiga prancha).

Soube também do delegado que atirou em um cara em uma danceteria, sobre a "barra-pesada" que é a cidade dele no interior do Paraná, sobre as pessoas que começaram a encher Barra Velha nesta época do ano. Ouvi histórias dele sobre a mãe e o pai separados.

Sobre como ele se recusou, ainda adolescente, em morar sob o mesmo teto em que vivia a mãe e os irmãos, apenas porque, anos antes, havia prometido que sairia de casa no momento em que a mãe "colocasse outro homem" (que não seu pai) para dentro da residência.

Também soube como a mãe do rapaz, de 24 anos, era descendentes de escravos e uma cozinheira de mão cheia que ensinou o filho a fazer pratos deliciosos. A mesma mulher que se recusava a aceitar que outro filho fosse gay.

Ouvi ele contando como foi a situação dele e de outras pessoas do município quando ocorreu a tragédia em Santa Catarina, há cerca de um ano. Soube que ele mora com a namorada, sua "mina", que tem 16 anos, e com a avó dela. Comentamos sobre a Festa do Pirão, o bacana que é a zona da ponte pênsil, e ele me perguntou se eu não me importava de ficar na praia sozinha, longe dos demais. Ele achava chato, porque assim eu não tinha ninguém para conversar.

Eu disse que eu conversava com o mar. Ele comentou que era chato, porque o mar nunca respondia nada. Eu disse?

- Claro que sim. Você não está escutando? Ele está te respondendo a todo momento - e sorri.

Ele perguntou ao mar se eu tinha namorado, ou se era casada... outra vez, eu menti. Disse que o mar tinha respondido que eu tinha namorado, mas que não era casada.

Falamos ainda sobre a violência urbana. E ele me disse algo muito interessante... repetiu o que seu pai, um dia, havia lhe dito:

- O ser humano gosta do ser humano. Mas quando o ser humano é ele próprio. Não gosta quando é o outro.

Nisto, seguimos falando sobre absurdos que ocorreram neste um ano, quando pessoas aproveitaram enchentes, enxurradas, deslizamentos de terra e o recente "apagão" para roubar aos demais. Daí meu novo "amigo" fez outro comentário brilhante:

- As pessoas estão sempre desconfiadas. Não confiam nos outros. Se alguém faz algo bom para ti, logo pensas o que ela quer com aquilo. As pessoas estão presas em suas próprias cabeças. Não são nem muros e nem grades que deixam as pessoas presas, é a própria cabeça delas.

E ele tem razão. Nos dois comentários. E nossa conversa seguiu, mesmo que já passava da minha hora-limite para estar no sol (o meio-dia).

Falamos de cozinhar e de receitas. Ele me ensinou como fazer polenta doce, eu disse que adorava pimentões recheados.

Por alguns momentos, no início, eu fiquei com certo receio da sua aproximação. Especialmente porque tudo indicava que ele tinha feito tudo o que fez - deixar a bike lá encima, dar sua "caminhada" na praia - para se aproximar de mim. Os assuntos da conversa, no início, também não eram dos mais promissores... ele falava sobre o perigo/desinteresse de alguém estar sozinha na praia, longe dos demais; sobre o pessoal de outro bairro que vinha destilar sua violência em várias partes da cidade, inclusive de dia; além das perguntas "para o mar" sobre meu estado civil.

Honestamente, não sei qual era a intenção dele. Mas o que eu sei é que uma conversa bacana, vários sorrisos e olho no olho fizeram com que aquele encontro fosse bem interessante. Também gostei de saber que ele é "casado" com sua mina, uma adolescente. A menina é outra que parece ter uma história incrível.

Passado do meio-dia e meia, eu falei que estava na hora de irmos. Nisso, ele comenta:

- Falei tanto de mim e você não falou quase nada de você.

No que eu respondi:

- Ah, mas tenha certeza que você tem histórias bem mais interessantes para contar do que as minhas.

Francamente, é a pura verdade. Eu sempre acho que os outros tem uma história bem mais interessante que a minha para contar. E não porque eu não me valorize. Não. Mas é que eles são tão sábios e tem tantas coisas curiosas para narrar que me interesso apenas em ouví-los.

Saimos dali com as nossas bicicletas e ainda conversamos um bocadinho até que cada um foi tomar o seu rumo, depois do costão. Ele foi para a direita, eu para a esquerda.

Talvez eu o encontre alguma outra vez. Talvez nunca mais. Mas nossa conversa me fez pensar em muitas coisas.

Uma delas é que eu tenho um estranho "dom" de fazer as outras pessoas falarem de suas vidas. Quando elas se dão conta, já me falaram tudo sobre suas mães, pais, irmãos, e algo mais. Sei que parte disso eu adquiri com técnicas de entrevista e reportagem, destas coisas "sem importância" (segundo o Judiciário e o governo brasileiro) que aprendemos na faculdade de jornalismo. Mas, além das técnicas aprendidas e executadas em diferentes ocasiões, acho que eu tenho realmente um desejo profundo de conhecer a história das pessoas... e meu interesse deve estimulá-las a falar. Ele nasceu comigo, muito antes de que eu sequer pensasse em me tornar jornalista.

Outra reflexão é de que realmente as pessoas estão "presas" de suas próprias desconfianças. Vivem com medo. Com isso, não quero dizer que eu não corria riscos estando ali. Claro que sim. Se eu fosse atacada, teria como tentar me defender, poderia correr para o mar, chamar por ajuda... Mas quem disse que um cara que se aproxima de ti tem que, necessariamente, querer te violentar? Não sei quais eram as intenções dele, mas acho que não passava por sua cabeça fazer nada do tipo. Mas mesmo que passasse, a partir do momento que eu não tratei ele como um "marginal", um possível criminoso, tudo mudou de figura.

Essa não seria a primeira vez em que eu, ao tratar um "bandido" como um igual, coibiria algum ato de violência dele. Acredito realmente que, em muitas situações, tudo é uma questão de postura. De comportamento mesmo - isso quando não estamos falando de ataques covardes, pelas costas, como o que eu recebi em Madrid em 2005, ou mesmo de casos em que o bandido esteja drogado e fora de si.

Para resumir, as pessoas deveriam olhar melhor para as outras. Ter tempo e oportunidade de escutar suas histórias - algumas vezes, tão diferentes de nossas realidades.

Adorei encontrar aquele rapaz na praia. Ficamos "amigos" - mesmo que nunca mais nos vejamos. Mas se acontecer de nos encontrarmos, terei satisfação de falar com ele. Um rapaz correto, que trabalha como pedreiro e que cozinha muito bem, sob a influência de sua mãe e de sua madrinha. Destas histórias que ensinam, para os que estão dispostos a aprender.

 

P.S.: Ainda que eu não tenha medo de encontrar um "bandido" em uma próxima vez, em um outro dia de céu azul indefectível vou procurar, com minha bike, um outro lugar "menos habitado" para o outro lado da praia. Variar um pouco de localização também não faz mal para ninguém. ;)

400 dias, 200 mil visitas e etc.

 

Um zilhão e meio de coisas aconteceu comigo desde que saí de Madrid, em outubro de 2008, e voltei para o Brasil.

Inicialmente, os problemas de família envolvendo a saúde do meu pai, me consumiram. Por um bom tempo, não me sentia preparada para escrever por aqui a esse respeito.

E depois, quando eu estava preparada e tinha a distância temporal dos fatos envolvendo cirurgia e hospital para escrever, não sentia mais vontade de fazer isso.

Nestes 400 dias (para ser franca, nem lembro exatamente o dia em que por estas terras brasilis cheguei... e isso pouco importa) em que estou de volta ao Brasil, passei por uma carrada de situações e aprendi um bocado de coisas. Briguei, me decepcionei, me afastei e me reaproximei de pessoas, demorei um tempo para encontrar o meu próprio equilíbrio e espaço.

Talvez começar agora a explicar tudo seja bobagem... como sempre quando não escrevemos no "calor do momento", as coisas se perdem. Por isso mesmo resolvi escrever hoje, mesmo tarde da noite, para não perder algo recente.

O que importa mesmo, de tudo que vivi neste mais de um ano, é que eu aprendi uma única e grande lição: sobre o que é verdadeiramente importante nesta vida.

Por isso você, meu caro leitor, se ainda não sabe o que realmente interessa, eu vou te dizer. hehehehehehehe

A única coisa realmente importante nesta vida é que você realize os sonhos dos outros. Que você atue decisivamente (ou até mesmo de maneira menos importante, como "agente secundário") para que as pessoas que você ama, em primeiro lugar, consigam realizer desejos que tinham há muito tempo. Ou sonhos que adquiriram há pouco. Mas nada, absolutamente nada é mais importante do que isso, do que ajudá-los a realizar seus sonhos.

Depois, muito além das pessoas próximas e que você ama, o ideal é que tentes fazer isso por qualquer pessoa, inclusive por "estranhos". Eis aí, meus caros, o ideal humano.

Pessoalmente, até o momento, tenho tentado (e conseguido em partes) apenas o primeiro... ajudar a realizar sonhos das pessoas que eu amo. Mas meu grande sonho - opa, esse sim, é dos grandes - é conseguir fazer isso para aquelas outras pessoas, as que eu nem conheço ainda.

Se tudo der certo, um dia eu chego lá.

Enquanto isso, comento sobre essa história de 200 mil visitas. Por esses dias - nem sei se nesta semana ou no final da semana passada - o meu querido blog com críticas de filmes ultrapassou a importante marca de 200 mil "visualizações". Ou seja, em 200 mil ocasiões minhas diferentes críticas foram lidas por conhecidos e "desconhecidos".

Vou ser franca, fico MUITO feliz com isso. Afinal, eu adoro falar de filmes. É uma das minhas paixões. E saber que um trabalho totalmente independente e que nasceu da minha vontade de falar das produções que eu vou assistindo por aí chegou a esta marca, é uma satisfação.

Obrigada, meus queridos leitores do Crítica (non)sense da 7Arte. Vocês me encheram de alegria.

Ah sim, e outro dado interessante do blog é que ele bateu o seu recorde de visitas diárias, que era do ano passado. No dia 9 de novembro deste ano cheguei a uma nova marca. Outro motivo para comemorar. Obrigada, novamente.

Bem, agora vou escrever o texto que me fez sair do "silêncio" no qual eu estava. Uma história interessante, vivida por mim ontem, na cidade em que estou morando. Em seguida, ali acima, o tal texto. Inté!

 

P.S.: E sim, acho que o tal texto me fará voltar a escrever por aqui com mais frequência.

 

Um blog "de los raros"

 

Como eu sou a minha própria "chefe", ou seja, como defino a velocidade com que trabalho diariamente no meu doutorado, normalmente defino para mim mesma uns desafios semanais.

 

Do tipo: "Esta semana vou analisar dois blogs novos para o doutorado", ou algo do gênero.

Há umas duas ou três semanas a minha programação têm furado. O que me deixa um pouco frustrada, um tanto irritada e, desta vez - porque ela não é a primeira -, meio de saco cheio. Por consequencia, relaxei esse meu ritmo nas duas últimas semanas e não esbocei mais os famosos desafios semanais.

 

O "responsável" por isto é um blog gigantesco, que tem muitas atualizações e, principalmente, um grande volume de interação entre seu autor e seus leitores. Acredito que ele é o que está me dando mais trabalho para analisar desde que comecei esta parte do projeto de análise de conteúdo e coleta de dados.

 

Mas querem saber? Esta semana eu voltei a fazer um cronograma para a semana e vou cumprí-lo.

E deixo aqui o endereço deste blog... porque ele é o que me deu mais trabalho até agora e, ao mesmo tempo, o que mais me interessou, me fez pensar - inclusive em coisas da minha vida - e, principalmente, o único que me emocionou até agora. E me fez dar risada um monte de vezes. Enfim, um grande blog de um sujeito que parece ser superinteressante. Sem dúvida é um destes blogs "raros", ou seja, pouco comuns. Pela qualidade e pelo nível de exposição das pessoas.

 

Quem tiver interesse, tempo e quiser ler uns textos divertidos (e algumas vezes bem emocionantes) em espanhol, recomendo o blog de Ikusuki - http://ikusuki.blogspot.com/

 

Calar ou falar

 

Muitas vezes as palavras sobram. Ou, visto de outra forma, o que podia se cristalizar em palavras se solidifica de outra forma.

 

Um zilhão de coisas aconteceram nos últimos meses. Eu teria dezenas de textos, provavelmente, para falar de tudo. Mas resolvi me calar.

 

Não por falta do que dizer, mas talvez por excesso - não apenas de palavras, mas de sentimentos, sensações. E como bem afirma a música Todos os Verbos, do novo CD da Zélia Duncan - maravilhoso, aliás -, "Calar é tático". Pois sim.

 

Mas acho que chegou a hora de voltar ao meu "normal". Ou seja, de falar mais e calar menos. O engraçado que o processo que me trouxe de lá - fase do silêncio - para cá - fase de querer voltar a falar - passou por uma ferramenta internáutica que anda "na crista da onda" há um tempinho... o Twitter.

 

Esta joça chamada Twitter é viciante. E consome um tempo do caramba! Tanto é verdade que entrei nele atrasada - muita gente já estava viciada nesta história muito tempo antes - e vou sair adiantada. Não vou terminar com a minha conta. Não. Mas revi meus conceitos e, ao perceber o quanto o Twitter nos rouba tempo e nos deixa interligados demais, resolvi desligá-lo do meu Firefox e utilizá-lo apenas em ocasiões muito, muito pontuais. Basicamente, para falar de assuntos de cinema.

 

Mas o Twitter foi útil para mim por me estimular a estar "mais ligada" ao besteirol de coisas que acontecem diariamente (algo que deixei de fazer quando parei de assistir a TV, inclusive na Espanha) e, em especial, por me fazer voltar a escrever sobre meus gostos, sensações, sobre o que eu andava fazendo. Foi bom... quebrou uma capa de gelo que talvez tivesse se formado sem que eu percebesse.

 

Bem, escrevo isso só para dizer que estarei mais próxima deste e do outro blog - o de cinema -, assim como do meu fotoblog, e que vou deixar o Twitter em quinto plano.

Também escrevo para dizer que estou bem. Ainda que, admito, tenha passado por muitos altos e baixos ultimamente. Mas o bom é que eles foram vividos como devem ser... com um bocado de susto, bastante reflexão, um tanto de exagero e de falta de direção. Mas agora, aparentemente, tudo caminha de forma mais tranquila.

 

O lado bom de estar onde eu estou, da maneira como estou e fazendo o que eu faço é que eu acabo tendo muito tempo para olhar tudo em perspectiva. Estudar diariamente o que os outros sentem, vivem e comunicam, fazer uma análise dos conteúdos dos blogs, também joga comigo, indiretamente.

Também a paz e o tempo que o fato de morar sozinha me traz, ajuda a rever conceitos, planos, desejos, necessidades, caminhos traçados. Este desafio será longo ainda. E talvez só agora eu comece a entender tudo o que significou (e significa) ter vivido o que vivi na Espanha.

 

Como diz o mitólogo Joseph Campbell - tenho que ir atrás de algum livro desse homem -, "ir aonde o corpo e a alma querem ir abre portas em lugares inimagináveis". Eu sempre quis viver na Espanha por um tempo. E essa experiência realmente parece ter aberto portas em lugares inimagináveis. Muitas delas, que ainda sou incapaz de ver. Mas tudo virá... a seu tempo.

 

Estou de volta. Aos 30, muito mais consciente, segura, e perdida, brutalmente perdida, algumas vezes. Mas é isso mesmo... este é o processo de reconstrução. Estou em terreno conhecido.

Duas verdades

 

Analisando um destes blogs que eu tenho que estudar para o doutorado, encontrei, como parte de um comentário de um espanhol que viveu no Japão por um tempo, mas que agora está de volta ao seu país - como eu -, umas frases que contêm duas verdades das boas:

 

"El tiempo no espera a nadie.


El tiempo nunca se pierde. Se puede hacer una mala inversión de él, pero nunca se pierde."

 

Muito certo isso. Algumas vezes é preciso ter muita paciência para, agora mesmo, não fazermos tudo que gostaríamos.

Porque é preciso terminar algumas coisas que começamos antes de nos lançarmos de verdade.

 

Por tudo isso, é bom saber daquelas verdades ali de cima... e tê-las em conta a cada dia. Para não perder a hora certa para tudo.

Motivos para celebrar

 

Pretendo, pouco a pouco, ir atualizando este blog... se bem que, esta semana, isso será um pouco difícil, porque estou com um prazos um pouco apertados na minha pesquisa do doutorado.

Mas vamos ao que interessa - o que motivou este texto.

 

Hoje tenho um bom motivo para celebrar. Meu blog sobre cinema, que traz críticas dos filmes que vou assistindo, ultrapassou a marca de 150 mil visitas.

 

Sei que é pouco, comparado a tantos blogs... mas para mim, isso é motivo de alegria. Ultimamente tenho mantido uma boa média de visitações diárias, o que comprova que o blog tem chamado a atenção.

 

O bacana também é que conquistei alguns leitores fiéis, na mesma medida em que tenho, desde que comecei com o blog, atraído novos leitores diariamente. Acho isso muito bacana.

 

E como acabo de comentar lá na seção Pílulas Vermelhas do blog, para comemorar eu acrescentei dois novos endereços que podem remeter as pessoas para o meu blog. Essas páginas, chamadas também de domínio, devem facilitar a vida de muita gente para lembrar qual é o nome do site.

Em outras palavras, o Crítica (non)sense da 7arte pode ser agora visitado pelos sites

criticanonsense.com/

movienonsense.com/

 

Se vocês acham que vale a pena indicá-lo, sigam em frente! Eu agradeço!! ;)

 

Inté...

 

Ando por aí

 

Ei, não me enterrem ainda... estou viva!!

hehehehehehehehe

Foi inevitável essa "piadinha". Sei que andei sumida. Bastante.

Mas quero dize que estou viva. E o melhor: feliz.

 

Os vendavais passaram - pelo menos é isso que o céu azul sinaliza. Espero que o bom tempo continue por muito e muito tempo.

Uma carreata de caminhões cheios de coisas aconteceram neste tempo. Desde que eu saí de Madrid. Desde o ano passado. Desde meu último post.

 

Mas ultimamente tenho um bocado de preguiça de ficar escrevendo ou explicando ou contando as coisas. Por isso, meus bons e boas amigas (e desconhecidos que podem aportar por aqui), quero dizer que não sei quando escreverei aqui novamente. Talvez em breve. Talvez demore outros quatro meses. ;)

 

O que eu queria mesmo dizer é que ando mais de poucas frases e de imagens do que nunca... então quero comentar que estou mais presente no Twitter (como "aleogeda") e recomecei a atualizar meu fotoblog - http://aogeda.fotoblog.uol.com.br/

A ironia é que estou sem a minha máquina... ela estragou. Mas logo quero resolver esse problema. Enquanto isso, vou publicando coisicas por lá... lembranças de bons tempos.

 

Talvez eu apareça por aqui também. E, claro, no meu blog de cinema (http://moviesense.wordpress.com/), no qual sempre tento dar uma atualizadinha. Ainda que, repito, ando meio com preguiça de escrever ultimamente.

Vai ver que é porque estou feliz da vida com o meu doutorado. Estou contente de ter voltado a trabalhar com ele...

 

Well... nos vemos!!

Absurdo

Volta e meia ouço a imprensa chamando a situação na faixa de Gaza como "conflito entre israelenses e palestinos".

Que tipo de conflito mata 600 e tantas pessoas de um lado e 10 do outro?

Sim, porque até agora foram assassinados 600 e tantos palestinos e pouco mais de 10 israelenses. Não questiono méritos da questão e nem vou dizer que um lado ou outro tem mais razão.

Mas, NUNCA, nunca uma diferença assim de perdas pode ser chamada de conflito.

Como minha mãe mesmo disse, não se trata de conflito, mas de massacre.

E o pior: não termina.

Estranhos conhecidos

Em novembro fui acompanhar a minha irmã a uma sessão de fisioterapia em uma academia conhecida. E não porque eu já tivesse pisado por lá, mas porque eu sabia que se tratava da academia da família de uma antiga amiga.

Depois de conversar um tempo com a recepcionista sobre a calamidade que tinha se abatido sobre a nossa cidade, sai por uma das portas a dona da academia - e mãe daquela minha amiga.

Ela também entra na conversa e eu acabo não resistindo: pergunto sobre a filha dela. A mulher pergunta de onde eu conhecia ela, e eu falo que "éramos amigas no Machado" (escola onde passamos oito anos das nossas vidas em nossa tenra infância e juventude).

Foi bem estranho falar aquilo, porque parecia que a época da qual eu falava estava há milhas de anos-luz do presente.

Esse encontro e essa conversa me fizeram pensar... sobre como tem pessoas importantes na nossa vida, amizades tão fortes e com alta carga de cumplicidade que, depois, passam a simplesmente não existir mais.

Eu sei pouco sobre a vida dela, quase nada, para ser franca, e ela o mesmo de mim. E antes éramos tão próximas... o mundo dá voltas e algumas pessoas passam a se desencontrar.

E com isso penso em quem vou "deixar" em seguida. Há pessoas que eu não queria deixar nunca, mas vai saber? Quem sabe algumas de nós nos separemos mesmo sem querer.

E que as vidas novas venham, também. Com as antigas ficando ali, em seu devido lugar.

Certeza

A cada dia que passa algo fica mais claro para mim: cada um tem EXATAMENTE aquilo que merece.

Nem mais, nem menos.

A cada dia também gosto mais dos ditos populares... as pessoas comuns é que tem razão e sabedoria.

Vejo que são muito certos ditos como: "Quem planta vento, colhe tempestade", "Quando a cabeça não pensa, o corpo paga", "Aqui se faz, aqui se colhe", e por aí vai.

Chegou

2009 começou. E bem. Primeiro dia do ano me senti bem animada.

E com a ajuda da minha agenda nova, estou me programando para fazer tudo o que preciso, dia após dia.

Este será um grande ano, aconteça o que acontecer. Estou sentindo isso.

E aí vem 2009

Parabéns para as pessoas que terminam o seu 2008 felizes da vida, realizadas, contentes com o ano que está terminando.

Eu não sou uma destas pessoas.

Não que 2008 tenha sido totalmente trágico, mas foi um ano difícil. Muitos problemas, muito estresse... acho que ainda estou tentando me livrar da "carga" pesada que carreguei este ano. Acho não, tenho certeza.

E tirando o plano pessoal, mundo afora aconteceu uma série de tragédias. Neste finalzinho de ano então... em pouco mais de um mês, a maior tragédia que a minha cidade e a região do Vale do Itajaí já presenciaram e, agora, a nova carnificina na faixa de Gaza. ¡Vaya año!

Quero que ele vá para o espaço de uma vez. 

E 2009 está aí, surgindo no horizonte. Sinto que o começo do ano também será um pouco de pedreira... a mudança de um simples dígito no calendário não fará tudo dar certo, mas eu acho que pouco a pouco as coisas vão se ajeitando. Afinal, depois da pedreira de 2008, tem que vir algo melhor pela frente.

Pessoalmente, começo a me organizar. Até comprar uma agenda eu comprei!! Uau!!! Não lembro a última vez que eu comprei uma agenda para mim - normalmente eu ganhava várias de presente, mas comprar uma... bem difícil.

Pois a partir de amanhã, dia primeiro, vou me programar diariamente. Pequenas ou grandes tarefas a cada dia. Vou levar a sério a minha ginástica na Wii - cuidando de me movimentar diariamente. Continuarei ajudando a minha mãe no que ela precisar - mas também deixando mais espaço na agenda para meu ócio.

Agora, um parênteses: não posso reclamar de não ter tido ócio neste final de ano. Consegui uma semana plena de férias com a chegada de um amigo meu da Espanha. Ok que tivemos o Natal no meio, o que nos fez ficar em Blumenau uns dias, mas a maior parte do tempo conseguir sair por aí, viajar... que delícia! Estava precisando disso.

Além das férias que desfrutei pela chegada deste amigo, não posso reclamar muito... afinal, em dezembro consegui ver um bocado de filmes - minha paixão número 1. Tanto é que consegui publicar sete textos novos no meu blog - algo incrível para os meus padrões anteriores. Estou contente. E meu desafio para 2009 é ver filmes suficientes para publicar pelo menos dois textos novos a cada semana.

E vamos ver se eu consigo, com a ajuda da minha agenda recém-comprada, programar melhor o meu tempo em 2009, equilibrando saúde, lazer, cinema e doutorado. Este, aliás, vou resgatar do "pause" a partir de amanhã.

Afinal, amanhã já é 2009, o melhor ano das nossas vidas nos últimos tempos!!

Sobre 2008

Esse ano já deu mais do que tinha que dar.

Já vai tarde! Adeus... e que o diabo te carregue!!

(Desculpem ouvidos sensíveis, mas este ano realmente pode ir para o espaço que eu não vou sentir saudade. Ok, vivi momentos bacanas durante o ano, mas ele me cansou).

Sobre mudanças

poucas semanas eu tinha um texto para escrever por aqui certeiro. Ia falar sobre as mudanças que o ano 2009 trariam para minha vida. Era o que eu pensava então...

Só que em uma questão de poucos dias eu mudei totalmente de idéia novamente. 

Como bem resumi em uma conversa há poucos dias, muitas vezes as mudanças são necessárias. Mas, às vezes, a gente olha para o lugar errado na hora de decidir o que mudar.

Sendo assim, ao invés de mudar "fisicamente" no próximo ano, resolvi mudar "internamente". E nem esperei 2009 chegar. Neste final de 2008 eu já comecei a mudar.

E me sinto melhor, já. Menos infeliz. Percebi que eu realmente tenho ainda bastante o que aprender. E se não é pelo caminho "do bem", se não é na direção que eu gostaria, que seja na direção possível.

Uma mudança que já começou, super necessária, é a que me possibilita me importar menos com as pessoas. Com algumas, quero dizer.

Há pessoas que realmente valem a pena que você lute por elas, e tem outras que não. Simplesmente. E isso não deve ser um drama.

Estou aprendendo a me desapegar. Aprendendo a não me importar. E, cá entre nós, isto está sendo muito bom. 

Acredito que quando a pessoa perde o medo de dar o devido peso para as respectivas pessoas, quando aprende que nem todos podem ou devem se dar bem, quando uma pessoa percebe que há pessoas que estão juntas mas que, na prática, não deveriam estar, tudo fica mais fácil.

Chega de culpa. Chega de acreditar em falsas ilusões.

Cada pessoa tem o peso e a importância que deve ter nas nossas vidas. Nem mais, nem menos. E o peso e a importância não estão nada ligados a sangue, origens, compromissos... tem muito mais a ver com o que queremos e acreditamos, com as condutas, maneiras de atuar no cotidiano, tem a ver com pessoas que nos inspiram ou não.

A mudança "interna" em mim já começou. E acho que, com o tempo, ela será muito mais efetiva do que qualquer mudança de endereço.

Sobre o bom senso

Hoje tive mais um demonstrativo de como o bom senso é cada vez mais artigo raro no mercado.

Sempre digo que é nas pequenas ações do dia-a-dia que você percebe se as pessoas têm ou não bom senso. Discursos, pregações, frases e frases sobre fé não valem de nada se nas ações diárias a pessoa demonstra incongruência.

Hoje fui à missa com minha mãe. Na saída, vi que um carro tinha parado "meio torto" do meu lado. Sem problemas, até aí... percebi também que minha mãe conhecia o casal que ia sair com o carro. O homem, mais velho que a mulher. Os dois chegaram para a missa as 9h - quando ela era as 8h. Ok, se enganaram. Isso acontece.

Como vejo que o senhor tem um pouco de dificuldade para entrar no carro, eu entro logo para tirar o meu e deixar ele mais "livre" para sair. E também para minha mãe conseguir entrar no carro - já que ele tinha parado quase colado na minha lateral e ela não conseguia entrar. Dou a primeira ré e vou um pouco para a frente - pela maneira com que ele tinha estacionado, eu teria que fazer outras duas manobras para sair (como mínimo). Quando penso em dar a segunda ré, o homem também resolve dar a ré.

Resumindo a novela: ele não foi capaz de esperar eu sair para, então, tirar o carro dele. Conhecendo os "homens típicos" como ele, eu obviamente fiquei parada no meu lugar. Algumas manobras lentas dele depois, eu consegui dar a minha ré e finalmente sair - antes dele, inclusive.

Antes de sair, reparei na dificuldade dele em manobrar. E daí minha mãe me explica: ela conhece o casal, de outra igreja, e sabe que o homem tem uma grande dificuldade de caminhar. E daí chegamos à moral desta história: mesmo tendo essa dificuldade toda ele não se convence que não pode dirigir.

Perguntei para minha mãe: "Sinceramente, pela maneira com que ele manobra, pela dificuldade que ele tem de dar simples voltas com o carro dele, você acha que em uma situação de freada brusca ele teria condições de parar a tempo?". Minha mãe categoríca: não.

Então alguém pode me explicar por que o cidadão insiste em fazer algo que não pode mais fazer?

Para mim, falta bom senso e sobra arrogância e/ou "soberbia". Afinal, o que custa admitir que você chegou a uma idade ou a uma situação na vida em que não pode continuar fazendo coisas que fazia? Dirigir não é imprescindível. Nunca foi. Quantas pessoas não tem carro e vivem suas vidas normalmente?

Por três anos eu vivi em Madrid sem carro. Ok, alguém pode dizer que a situação é outra, porque Madrid oferece uma variedade de transportes públicos que poucas cidades no Brasil - ou quem sabe nenhuma - oferecem. Certo, até aí tudo bem. Mas se amanhã eu não tivesse carro por aqui, adaptaria minha vida para continuar fazendo tudo que tenho vontade sem ele.

As pessoas deveriam aprender que não são imbatíveis, que alguns "luxos" não são maiores que suas vidas e saúde. Deveriam também respeitar, mais que tudo, a vida alheia. Afinal, um senhor como aquele, mais que a sua vida, coloca a de outros em risco.

Eu fico "passada" com essa falta de bom senso. E o pior: não há cristão (ou budista, ou islamista, ou o que for) no mundo que convença a pessoa de que ela não tem mais condições de fazer aquilo. Em sua arrogância ela acha que pode, que pode tudo, que sempre poderá tudo. Não, meu amigo, você não pode!

Também serei justa... não sei até que ponto é arrogância, "soberbia", falta de bom senso ou a simples dificuldade em aceitar os próprios limites (e o nome disso não seria "sobérbia"?) e aceitar que a idade também pesa e que muitas coisas na nossa vida escapam das nossas mãos (inclusive em qualquer idade).

Mas independente da razão ou da "desculpa", acho que as pessoas deviam gastar um pouco de sua inteligência e de seu precioso tempo para, volta e meia, refletir sobre o que andam fazendo da sua - e das nossas - vida(s). A sociedade agradece.

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